Um projeto de atendimento psicológico para mães de crianças autistas em Franco da Rocha, que deveria ser um alívio para muitas famílias, está gerando indignação e acusações de favorecimento político. De acordo com o relato de algumas mães, que preferiram não se identificar, o programa, inicialmente prometido para todas as mães atípicas da cidade, estaria beneficiando apenas um grupo seleto, com ligações à atual gestão municipal, enquanto a maioria das mães que buscaram o apoio permanece sem assistência.
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O Acordo inicial e a promessa de abrangência
Segundo depoimentos, em uma reunião realizada em julho, foi acordado que a prefeitura, por meio do CAPS Infanto Juvenil e CAPS Adulto, iniciaria um programa de atendimento psicológico para mães de crianças autistas. A proposta era que as datas e horários disponíveis seriam enviados às mães responsáveis, que, por sua vez, realizariam uma pesquisa de preferência em um grupo de WhatsApp com outras mães da cidade. A ata da reunião, inclusive, foi assinada pelos presentes, formalizando o compromisso.
Um ponto crucial levantado na reunião foi a abrangência do atendimento. A mãe relata ter questionado se o suporte seria exclusivo para aquelas com filhos matriculados no CAPS. A resposta, segundo ela, foi enfática: "não, o atendimento é para todas as mães atípicas, independente se o filho está matriculado no CAPS ou não, se ele está em atendimento ou não, porque a gente entende que todas as mães atípicas merecem e devem ter atendimento." Essa garantia gerou expectativa e esperança entre as mães que aguardavam o início do projeto.
A espera, a descoberta e a indignação
No mês de agosto, diante da falta de retorno, a mãe buscou informações, cobrando a equipe responsável. A resposta foi para aguardar, pois o processo ainda estava em andamento. No entanto, a surpresa e a indignação vieram à tona quando as mães que participaram da reunião de julho descobriram que o projeto já estava em pleno funcionamento e que algumas mães já estavam sendo atendidas. O mais revoltante, segundo o relato, é que as mães que se mobilizaram e a grande maioria que esperava o atendimento não foram contempladas.
"Essas mães estão super nervosas, porque aí já entrou a parte da política", desabafa outra denunciante. A sensação de exclusão e de terem sido "usadas" por terem participado da reunião e apresentado a ideia é palpável. A denúncia aponta que o critério para o atendimento não seria a necessidade, mas sim a proximidade política. "Porque quem está sendo atendida é o pessoal, por exemplo, que é amiguinho da Bruna Farias, que hoje em dia está trabalhando lá na prefeitura, que antigamente acusava a prefeitura de muitas coisas, mas hoje é um "mel" com o novo governo."
O papel de Bruna Farias e as consequências para as mães
A menção a Bruna Farias, que, de acordo com a denunciante, que saiu candidata a vereadora na coligação da prefeita Lorena Oliveira (Solidariedade) e hoje faz parte do quadro de servidores comissionados da prefeitura de Franco da Rocha, sugere um elo entre a gestão municipal e o suposto favorecimento. A mãe enfatiza que, enquanto "amiguinhas da Bruna" estariam sendo atendidas, há mães em situação de extrema vulnerabilidade, "que realmente estão tentando suicídio, que necessitam estar sem atendimento".
A justificativa de que mães com filhos já matriculados no CAPS estariam sendo beneficiadas é rebatida pela denunciante, que afirma que a maioria dessas mães sequer tem conhecimento do projeto. A situação expõe uma falha grave na comunicação e na transparência da distribuição de um serviço essencial, gerando um clima de desconfiança e frustração entre as famílias que mais precisam de apoio.
O que diz a Prefeitura
Diante da gravidade da denúncia, o Dois Pontos encaminhou questionamentos à Prefeitura de Franco da Rocha para esclarecer os relatos das mães, porém, até o momento não recebemos retorno. O espaço segue aberto.
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
