A Prefeitura de Mairiporã sancionou uma nova lei para proibir o tráfego de caminhões e transporte coletivo de fretamento na avenida Senador José Ermírio de Moraes, na Vila Albertina, um dos dois acessos para a serra da Cantareira. Agora, a multa para os caminhoneiros que desrespeitarem a regra passa a ser de R$ 5.104. A penalidade ainda poderá dobrar em casos de reincidência no mesmo ano.
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O tráfego de caminhões e ônibus na Serra da Cantareira já é proibido com base no CTB (Código de Trânsito Brasileiro), no entanto, a administração de Mairiporã reconhece que o desrespeito é frequente.
"Muitos caminhoneiros dizem que compensava mais pagar a multa do que pegar a Fernão Dias", conta o secretário adjunto de Segurança e Mobilidade Urbana, Ricardo Ventura.
O trajeto alternativo pela rodovia Fernão Dias (BR-381) é o adequado para os caminhoneiros e motoristas de ônibus, mas a distância é maior e há pedágio. Por isso, explica o secretário adjunto, desrespeitar o CTB saía mais barato: a multa era em torno de R$ 130.
Com a nova lei municipal, a expectativa é diminuir os acidentes na via da Vila Albertina, mas para isso é preciso colaboração da vizinha São Paulo.
A serra da Cantareira liga a zona norte da capital com Mairiporã e também é rota de destinos no interior. Em São Paulo, a administração usa o CTB para multar caminhoneiros que desrespeitam a sinalização e avançam no acesso proibido a veículos de grande porte, sem uma lei municipal específica.
Curva da morte
Além do perigo, as ocorrências dificultam o acesso dos moradores da região às suas casas. Catrin Clemens, 42, nascida e criada na serra da Cantareira, conta que as ocorrências com caminhões são tão frequentes que a curva onde a maioria acontece passou a ser chamada de "curva da morte".
"A serra é íngreme, os freios dos caminhões não dão conta de descer, e os motores não dão conta de subir", diz.
No entanto, pouco mudou nestes 31 anos, segundo avalia. "Essa estrada é uma condição delicada porque metade do caminho dela é Mairiporã e metade é São Paulo, então as prefeituras jogavam [a responsabilidade] uma para a outra", explica Catrin.
A jornalista Suzi Cavalari, que também mora na região e coordena um projeto de brigada popular florestal na serra, é outra testemunha do desrespeito dos caminhoneiros. Mas vê esperança na nova lei.
"A dúvida é se de fato ela será aplicada, como e se isso vai ajudar, já que não há muita possibilidade de manobra uma vez que o caminhão já acessou a via. Se funcionar, vamos ficar bem", diz.
A proibição em Mairiporã também se estende aos veículos de transporte coletivo de fretamento nos dois sentidos da avenida Vereador Belarmino Pereira de Carvalho e no trecho entre a rodovia SP-023 até a avenida José Gianezella. A lei ainda prevê que eventos excepcionais devem ser autorizados mediante solicitação prévia ao órgão de trânsito.

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