Um mês após a terceirização das farmácias da rede municipal de saúde de Franco da Rocha, pacientes seguem enfrentando dificuldades para obter medicamentos básicos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A promessa de modernização e eficiência, usada para justificar a mudança no modelo de gestão, ainda não se traduziu em atendimento digno à população. O contrato, no valor de R$ 22 milhões, firmado entre a Prefeitura e a empresa Global Mat Distribuidora, não tem sido suficiente sequer para garantir a presença de medicamentos elementares, como a dipirona. Usuários relatam prateleiras vazias e sucessivas idas frustradas às unidades.
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Como já noticiado pelo Portal Dois Pontos, o processo licitatório que resultou na contratação da empresa foi paralisado e revisado três vezes por determinação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), diante de alegações de irregularidades e questionamentos no edital. Antes mesmo da licitação definitiva, a mesma empresa já havia sido contratada em caráter emergencial e sem licitação pela atual gestão. A prática, prevista em lei, é frequentemente criticada por especialistas por abrir margem a falhas de controle, improvisação administrativa e desperdício de recursos públicos.
Apesar desse histórico conturbado, em ato publicado no Diário Oficial em 10 de dezembro, a prefeita em exercício, Lorena Oliveira, convocou a empresa vencedora, concedendo prazo de cinco dias para assinatura do contrato e início das atividades de fornecimento e dispensação de medicamentos e materiais hospitalares.
Na prática, porém, o que se observa é um cenário de desabastecimento generalizado.
De acordo com informações apuradas pelo Portal Dois Pontos, apenas algumas unidades ainda conseguem manter um atendimento mínimo graças a estoques remanescentes. Em grande parte das UBSs, no entanto, a realidade é de escassez.
Um funcionário da rede municipal, que pediu para não ser identificado, confirmou a situação:
“Não compraram medicamentos. Só está conseguindo distribuir quem já tinha estoque na unidade. A empresa assumiu o contrato sem conseguir suprir o início”, relatou.
A situação levanta questionamentos sobre a capacidade técnica da empresa contratada, a responsabilidade da prefeitura no planejamento da transição e a efetividade do gasto público em um contrato de alto valor, que até o momento não apresenta resultados concretos para a população.
Procurada pelo Portal Dois Pontos, a Prefeitura de Franco da Rocha não se manifestou até o fechamento desta matéria.

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