O vereador Senival Moura (PT), da Câmara Municipal de São Paulo, preso nesta quinta-feira (25) em uma operação que investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado no setor de transporte público, esteve em Franco da Rocha no mês de maio em uma reunião política com a prefeita Lorena Oliveira (Solidariedade). O encontro ocorreu no Parque Vitória, durante uma agenda de apoio aos pré-candidatos a deputado Jorge do Carmo e Jilmar Tatto. Na ocasião, Senival participou da atividade ao lado de lideranças políticas da região, incluindo a chefe do Executivo de Franco da Rocha.
📺 Se inscreva no canal do YouTube do Dois Pontos
📲 Participe do canal do Dois Pontos no WhatsApp
A reunião, inclusive, foi divulgada no perfil oficial da prefeita Lorena Oliveira nas redes sociais, o que reforça o caráter público da agenda política realizada no município.
A presença do vereador no evento ganha repercussão após sua prisão na Operação Última Parada, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil.
Segundo as investigações, Senival Moura é apontado como uma das figuras centrais de um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a empresa de ônibus Transunião, que atua no transporte coletivo da capital paulista. A operação também mira suspeitas de infiltração do crime organizado no setor de transporte público.
Em seu sexto mandato como vereador da cidade de São Paulo, Senival já era investigado desde 2022 por suspeita de envolvimento em apurações relacionadas à morte de um ex-diretor da Transunião. À época, a investigação também apontava possíveis conexões entre integrantes da empresa de transporte e o crime organizado.
De acordo com os investigadores, a trajetória política de Senival tem relação histórica com o setor de transporte de passageiros na Zona Leste da capital. Ele teria atuado junto a antigos operadores do transporte alternativo, conhecidos como “perueiros”, durante o processo de regularização do setor no início dos anos 2000.
Ainda segundo a investigação, essa relação com o transporte seria anterior à vida parlamentar e remontaria à década de 1970, quando Senival teria explorado linhas clandestinas com veículos do tipo Kombi entre regiões como Guaianases e Itaim Paulista.
A prisão do vereador não significa condenação. As acusações ainda dependem do andamento das investigações, manifestação da defesa e análise do Poder Judiciário. No entanto, o caso tem forte impacto político por envolver um parlamentar em exercício, uma empresa de transporte coletivo e suspeitas de atuação do crime organizado em contratos e estruturas ligadas ao serviço público.
Em Franco da Rocha, a reunião realizada em maio também passa a ser observada politicamente, especialmente pela presença da prefeita Lorena Oliveira no mesmo evento em que Senival Moura participou e pela divulgação da agenda nas redes sociais da própria chefe do Executivo municipal. Até o momento, não há informação de que a prefeita seja investigada no caso envolvendo o vereador paulistano.
O Dois Pontos buscou contato com a defesa de Senival Moura, mas ainda não obteve retorno. A prefeita Lorena Oliveira também foi procurada por meio da assessoria de imprensa da Prefeitura de Franco da Rocha, porém, até a publicação desta matéria, não houve manifestação.
O espaço segue aberto para posicionamento de todos os citados.

Comentários: