Toda e qualquer história com seu time de coração, teve uma influência, momento de alegria ou compaixão por algo ou alguém. Não gosto muito de falar sobre mim, mas acho que este último texto antes de uma final de libertadores, pode inspirar quem estiver lendo!
Dizem que nós já nascemos com um time no coração, e que descobre rápido, ou torce pelo mesmo time do pai/mãe, no meu caso foi diferente, não acompanhava futebol até os meus 5 anos torcia, para o time do meu pai, gostava de ver a alegria dele! Meu pai, sempre foi meu espelho para tudo, meu sonho era ser ele, em todos os sentidos, então o que eu mais queria era ficar próximo dele, fazendo qualquer coisa que ele estivesse fazendo, e torcendo por tudo que ele torcia.
Eu também tenho um tio, uma pessoa sensacional, que eu me espelhava também, assim como meu pai, mas o meu tio torcia para um time e meu pai para o outro, um me influenciava, o outro era meu pai! Eu não queria deixar meu pai triste, não queria decepcionar, mas o time do meu tio, tinha algo que me chamava a atenção, um verde que eu não tinha visto ainda, só haviam me apresentado o preto e branco, eu já tinha me acostumado com as cores, mas quando eu vi aquele verde, juro, eu fiquei emocionado, via meu tio chorar de raiva com o verde, brigava com qualquer um, quebrava rádio, mas se emocionava a cada vitória.
Em 12/06/1993, meu tio conseguiu enfim o que tanto queria, conseguido me tornar Palmeiras! No ano da quebra do tabu, ano da paixão palmeirense, que até hoje qualquer torcedor não esquece.
Eu ali feliz, comemorando, lembro exatamente do rosto do meu pai, triste pelo jogo, feliz por mim! Neste ato, eu percebi todo o amor que meu pai tinha por mim, do alto de sua grandeza entendeu que tinha perdido seu filho para o lado verde da força e mesmo assim, não falou absolutamente nada, só estava ali por mim.
E por aí o tempo foi passando e eu ouvia meu tio, que em TODAS as conversas mais criticava, do que elogiava o time, ele era um paulista mais italiano que eu conhecia! Ele odiava amar aquele time.
Nessa minha jornada, foram se agregando algumas personalidades palmeirenses na minha vida, amigos, família... e o amor peço clube só aumentando, a segunda libertadores não chegava, ganhamos todos os títulos possíveis, mas ela ainda parecia distante, em 2016, indo para o estádio, no jogo do título brasileiro, depois de anos, meu tio me liga, chorando pela felicidade, ele que já tinha seus filhos, fez questão de me ligar, somente para compartilhar a alegria .
Em 2020 em plena pandemia, no dia de uma final de paulista entre Palmeiras e Corinthians, meu tio, infelizmente morreu! Foi um dia bem difícil, o Palmeiras foi campeão, e eu não tinha para quem ligar, peguei meu celular e mandei uma mensagem no celular dele, e mesmo sabendo que ele não iria ler, eu escrevi, entre uma lágrima de tristeza e outra de alegria eu registrei aquilo, como um adeus.
Tinha que ser assim? Não vou saber nunca, então, a pandemia acabou, Abel Ferreira chegou, e meu tio que queria muito ver uma nova conquista de libertadores, não viu as outras duas que ganhamos com o português, aliás, meu tio foi embora sem conhecer o maior técnico que nós já tivemos.
Um outro grande personagem da minha vida também, foi meu outro tio, que na verdade é tio da minha esposa, mas que se tornou parte da minha história pela relação que tínhamos, a gente se conhecia, sabia dos gostos de ambos e como palmeirenses, vibramos nossas sequenciais conquistas, que também foi interrompida com a partida dele.
Nesta final de libertadores, eu não terei nenhum dos dois para comemorarmos ou xingarmos juntos, mas sei que meus tios estão lá orando por nós.
A frase, NUNCA SERÁ SÓ FUTEBOL, ecoa no meu ser para sempre, e neste final de semana, estaremos em busca do quarto título, e o que fica é a saudade.
Dedico este texto a todos que amam futebol.
e aos meus tios Rodne e André
O texto acima expressa a visão de quem o escreveu, não necessariamente a de nosso portal.
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