O Instituto de Previdência Municipal de Caieiras (IPREM) enviou um ofício oficial ao portal Dois Pontos nesta segunda-feira (6) para esclarecer os questionamentos sobre aplicações financeiras realizadas no fundo imobiliário "Brazilian Graveyard & Death Care" (CARE11). O caso ganhou repercussão após uma matéria do jornal Folha de S.Paulo citar a relação do fundo com o Banco Master.
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Em resposta ao requerimento feito pela nossa redação, o superintendente do IPREM, Fernando Cesar Donizette Pacola, confirmou o aporte no fundo, focado no segmento funerário ("death care"), mas negou enfaticamente qualquer risco de calote aos aposentados e pensionistas do município.
Segundo o documento, as cotas do fundo imobiliário foram adquiridas pelo Instituto em dezembro de 2017, época em que a administração era feita pela Planner Trustee DTVM. O Banco Master assumiu a função de administrador fiduciário apenas anos depois, atuando por um curto período de seis meses, entre 14 de julho de 2025 e 20 de janeiro de 2026.
O IPREM reforça que o investimento não foi feito de forma direta em títulos de crédito emitidos pelo banco (como CDBs ou Letras Financeiras), mas sim em um veículo de investimento coletivo com CNPJ e patrimônio próprio, regido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "Os ativos do fundo [...] nunca foram emitidos pelo Banco Master", afirma o ofício.
Baixo impacto na carteira e segurança Para tranquilizar os segurados, o Instituto destacou a baixa materialidade da aplicação. O valor atualizado do investimento é de R$ 571.825,06, o que representa apenas 0,21% do total dos investimentos do regime próprio de previdência da cidade.
"Supondo que o fundo em comento pertencesse ao Banco Master e que o IPREM CAIEIRAS, por conta disso, tivesse perdido todo o recurso financeiro nele investido, ainda restariam 99,79% da carteira de investimentos do RPPS preservados", argumenta a autarquia.
Questionado sobre a ausência de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para esse tipo de ativo, o IPREM explicou que essa é uma característica inerente aos fundos de investimento imobiliário. Além disso, o documento ressalta que 100% dos ativos sob gestão da previdência municipal são compostos por fundos de investimento, cujos volumes superam amplamente o teto do FGC, sendo essa uma lógica de alocação comum e alinhada à regulamentação vigente para o setor.
Situação atual e ausência de "rombo" Atualmente, a administradora do fundo CARE11 é a Mérito Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda.. O IPREM garante que o fundo opera regularmente, sem restrições da CVM, e que os valores aplicados não estão bloqueados nem foram caracterizados como perda.
Diante desse cenário de funcionamento normal, a autarquia informou que não há necessidade de adoção de medidas jurídicas para recuperação de valores ou de acionamento de planos de contingência. O Instituto descarta qualquer possibilidade de repasse de "rombo" aos servidores públicos (através de revisão de alíquotas) ou a necessidade de solicitação de aportes extras à Prefeitura de Caieiras.
Ao final do esclarecimento, o IPREM reiterou que "não dispõe em sua carteira de investimentos quaisquer tipos de fundos de investimentos que tenha ligação ou relação com o Banco Master" no momento atual e reforçou o compromisso com a transparência para evitar temores infundados por parte dos aposentados e pensionistas locais.
Confira abaixo o ofício enviado na íntegra pelo IPREM:
Ofício IPREM - Banco Master e investimentos fundo...

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