Na última terça-feira dia 25 de março, a seleção brasileira de futebol masculino sofreu uma dura derrota para a seleção da Argentina que historicamente é a sua maior rival, partida válida pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2026 e não foi só uma simples derrota o Brasil foi amassado durante os 90 minutos sofrendo o pior revés de sua história na competição, a pouco mais de 1 ano da próxima Copa do Mundo a amarelinha ocupa o quarto lugar com 21 pontos em 14 jogos, 6 vitórias, 3 empates e 5 derrotas com atuações muito contestáveis e abaixo da média mas para entendermos o atual cenário do futebol brasileiro precisamos trazer alguns pontos para melhor refletirmos.
Após Dunga fracassar em sua segunda passagem pela seleção no dia 20 de junho de 2016 Tite assume o comando da amarelinha comandando o Brasil em dois ciclos de Copa do Mundo em 2018 e 2022 fazendo campanhas históricas nas eliminatórias e sagrando-se campeão da Copa América de 2019, fato interessante é que antes da disputa da ultima Copa do Mundo de 2022 o técnico da seleção já havia dito a todos que não continuaria a frente da equipe e encerraria seu ciclo independente de seu resultado e com a eliminação do Brasil no torneio com uma derrota para a Croácia nos pênaltis Tite deu um entrevista coletiva confirmando a sua saída e o que mais impressiona que diante de toda essa convicção da saída de seu treinador a direção da CBF ainda não tinha o substituto para o comando da maior seleção de futebol do mundo. Ramon Menezes foi o escolhido interinamente para comandar o Brasil até então ele treinava a seleção sub-20, porém na equipe principal sua passagem foi breve com 2 derrotas e uma vitória contra a inexpressiva seleção de Guiné,
É nesse momento que o presidente da CBF talvez tenha demonstrado o maior ato de fracasso diante do comando da alta cúpula do futebol brasileiro, Ednaldo Rodrigues baiano de Vitória da Conquista assume o cargo da entidade máxima do futebol brasileiro após o afastamento de Rogério Caboclo por assédio sexual, Ednaldo coloca interinamente Fernando Diniz técnico do Fluminense campeão da Libertadores para assumir o futebol da seleção e manter paralelamente seu trabalho no clube, depois da saída de Ramon Menezes com fortes rumores de uma possível contratação do até então técnico do Real Madrid o italiano e multicampeão Carlo Ancelotti, o presidente da CBF ao ser questionado por que da escolha de Fernando Diniz, disse que os estilos de jogo de Ancelotti e Diniz eram semelhantes e o treinador brasileiro iria fazer bem essa transição até a chegada do italiano que estava em fim de contrato com o Real Madrid, só ai você já vê a falta de coerência pois colocar Ancelotti e Diniz na mesma frase soa como um surto psicótico , porém o mais interessante de tudo isso é que Ancelotti ao ser questionado sobre assumir o comando da seleção brasileira o italiano dizia não ter informações sobre o assunto e que sua prioridade sempre seria permanecer no Real Madrid, e foi exatamente o que aconteceu após resultados expressivos com o clube merengue como títulos nacionais e o principal torneio de clubes do mundo a Champions League, Ancelotti confirma sua prioridade e renova seu contrato com o Real Madrid deixando Ednaldo Rodrigues a ver navios e contradizendo suas próprias palavras de o italiano iria assumir a amarelinha, a direção da CBF não teve outra escolha a não ser a retirada de Fernando Diniz que até estreou bem com uma goleada em cima da fraca seleção da Bolívia por 5x1 porém com um aproveitamento de 38,8% e uma marca histórica de ser o único treinador a sofrer 3 derrotas seguidas nas eliminatórias a sua troca se tornou inevitável.
O torcedor brasileiro foi dormir com Diniz, sonhou com o Ancelotti e acordou com Dorival Jr, é isso mesmo, o treinador do São Paulo Futebol Clube assumiu em definito a seleção brasileira após duas passagens de treinadores interinos, porém como de costume a passagem de Dorival foi breve com apenas 16 jogos, convocações de jogadores inexpressíveis, um aproveitamento de 58.3% e uma senhora derrota humilhante para os argentinos o treinador foi demitido e a CBF segue em busca de seu substituto, visto que a quase 5 anos Tite já havia dito que não seguiria no comando da seleção isso mostra a tamanha incompetência dos dirigentes da entidade máxima do futebol brasileiro que não tem convicção do trabalho que vendo sendo feito e a pouco mais de um ano da Copa do Mundo de 2026 o Brasil segue sem treinador. A última pá de cal foi quando o meia Raphinha em entrevista para Romario TV ao ser perguntado pelo tetracampeão se iria dar porrada e fazer gol contra os Hermanos o jogador do Barcelona não hesitou em dizer que sim, porém durante a partida foi um dos piores em campo virando motivo de piada no mundo do futebol, Raphinha caiu numa armadilha onde Romario queria audiência para sua TV e conseguiu, o que essa geração de jogadores precisa entender são duas coisas, a primeira é que Romario já esta com sua cama feita com mais de 1000 gols, muitos títulos, bola de ouro, campeão da Copa do Mundo de 1994 ele pode perguntar o que ele quiser a segunda é que Raphinha tem que medir as palavras visto que a situação da seleção brasileira é muito abaixo do que se espera e os Hermanos vivem um momento mágico com 2 títulos de Copa América consecutivos e são os atuais campeões mundiais além de jogadores individualmente se destacando em seus respectivos clubes.
Como o futebol brasileiro é o reflexo da sociedade, hoje temos um presidente da república que já foi preso por corrupção e lavagem de dinheiro mas que voltou ao poder pelo clamor de parte do povo, temos também um ex-presidente que vai responder criminalmente por tentativa de golpe e pode pegar ate 38 anos de cadeia e mesmo assim também vemos parte da população clamando por seus direitos políticos e sua volta ao poder, no futebol não seria diferente nos últimos anos vimos os últimos mandatários da CBF serem presos e investigados por corrupção e lavagem de dinheiro sem contar o afastamento de Rogerio Caboclo por assedio sexual, porém esses nomes e até mesmo pessoas ligadas a tais grupos políticos começam a serem desejadas de volta por torcedores e amantes do futebol brasileiro com a falsa sensação de que a seleção voltara para os trilhos das grandes conquistas. Vemos que o brasileiro no geral vive a famosa síndrome de Estocolmo onde a vítima passa sentir empatia ou amor pelo seu agressor enquanto isso a sociedade corre igual um cachorro atrás do próprio rabo sem sair do lugar e o futebol que como todo esporte pode servir de ferramenta para educação e melhor união do país é usado para benefício próprio daqueles que o dirigem.
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