Meus amigos, o ano de 2026 promete. Brasília definitivamente é um palco de teatro onde se encena uma peça de drama, mistério, luta por justiça e um embate entre o bem e o mal. O caso recente do Banco Master mostra isso com clareza — só não vê quem não quer. E dizem que o pior cego é aquele que não quer ver.
O gangster travestido de banqueiro, Daniel Vorcaro, ocupa a mais alta prateleira da elite brasileira. Multibilionário, mostrou como se tem acesso livre a Brasília quando se tem dinheiro: mandava prender, derrubar sites de notícia, quebrar dentes de jornalistas — tudo sob a proteção daqueles que se dizem guardiões da democracia brasileira, o todo-poderoso Supremo Tribunal Federal.
A agenda de contatos de Vorcaro revelou que ter o contato certo é melhor do que ter a lei ao seu lado. Contratos milionários com escritórios de advocacia ligados diretamente à esposa do temido juiz Alexandre de Moraes, além de mensagens no celular do banqueiro que o próprio ministro apagava, mostraram uma relação de intimidade. Sem falar no antigo relator do caso, Dias Toffoli, que era sócio de Vorcaro em um resort de luxo. Parte considerável da Suprema Corte estava sentada à mesa de negócios com um gangster. Faço questão de chamá-lo assim, pois toda essa história lembra a disputa entre a máfia italiana e as gangues negras do Harlem nas décadas de 1960 e 1970: o grau de relacionamento entre mafiosos e aqueles que deveriam combatê-los não difere em nada do caso Vorcaro.
Na prisão de quinta-feira (5), estava junto com ele Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. Esse sujeito comandava uma turma de jagunços que fazia todo tipo de serviço sujo: monitorar e obter informações sigilosas, coordenar ações de intimidação contra desafetos, ex-funcionários e jornalistas. Misteriosamente, no dia em que Sicário foi preso na Operação Compliance Zero, morreu na prisão. Primeiro falaram em suicídio, depois em morte encefálica. A verdade é que quem estava abaixo de Vorcaro não está mais vivo para delatar ninguém.
No espectro político-partidário, vemos que tanto parte da direita quanto da esquerda estão atoladas nesse caso. Preso com Vorcaro também estava Fabiano Zettel, pastor da Igreja Lagoinha e cunhado do banqueiro. Ele é alvo da Polícia Federal e foi um dos principais doadores das campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que até agora permanece em silêncio. A PF também descobriu encontros secretos de Vorcaro com o presidente Lula e com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reunião articulada por Guido Mantega, ex-ministro da economia nos governos Lula e Dilma. Mensagens interceptadas mostram que Vorcaro saiu satisfeito do encontro, dizendo que foi “ótimo”.
Deputados e senadores se degladiam por uma possível CPI. Mas a verdade é que Vorcaro não quer mofar na cadeia. Para isso, terá de aceitar a delação premiada, o que escancarará a hipocrisia dessa guerra de narrativas. Afinal, não faz sentido delatar apenas subordinados. Se decidir entregar cabeças grandes, a República vai estremecer.
O caso Banco Master despolarizou o Brasil: colocou esquerda, direita e Supremo todos dentro do mesmo balaio
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