Dois Pontos | O portal mais atualizado da região do CIMBAJU

Segunda-feira, 23 de Marco de 2026
CAIU MAIS UM

Nego Dan

CAIU MAIS UM

Vamos fazer um exercício do ponto de vista moral: quem está certo ou errado no jogo de xadrez da geopolítica?

IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Meus amigos, para surpresa de ninguém, os EUA derrubaram mais um regime. Depois de derrubar o regime bolivariano da Venezuela, que já durava quase três décadas, e capturar o ditador Nicolás Maduro em sua própria casa junto com a esposa, menos de dois meses depois, numa ação militar conjunta com o exército israelense, a bola da vez foi o regime iraniano. O aiatolá e líder supremo Ali Khamenei foi morto no último sábado, dia 28 de fevereiro. Na mesma operação também foram mortos o ministro da Defesa e general Amir Nasirzadeh, além do chefe da Guarda Revolucionária, comandante Mohammad Pakpour — três das maiores autoridades da ditadura iraniana. Logo surge o debate sobre a legitimidade dos ataques que os EUA promovem contra lideranças antagônicas aos seus ideais.

Longe de ser um analista geopolítico, a análise mais didática que faço sobre a busca dos EUA pelo poder é a seguinte: é como um pátio de escola onde alunos brigam por um lanche e ninguém tem coragem de intervir, até que chega um grandão com mais força e autoridade e decide resolver a confusão. Até aí tudo certo, mas o problema é que esse grandão vai querer resolver do seu jeito, e muitos vão achar necessário, enquanto outros vão considerar um abuso de poder.

Na geopolítica é assim que funciona. Não existe "nova ordem mundial" imposta pelos EUA; é apenas os EUA sendo os EUA. O nome disso é status quo. Defender uma teocracia com um projeto nuclear disposto a ser usado em nome de Deus é, no mínimo, estranho — para não dizer loucura. Nesse papel, os EUA interpretam bem o "grandão" que resolve o problema. O regime iraniano era, sim, um problema: suprime gays, mulheres e está disposto a atropelar qualquer cultura ocidental que interfira em seus interesses. Como já escrevi em outra coluna, a nação iraniana tem seus motivos para ser traumatizada com a cultura ocidental, que já foi causa de muita miséria antes da Revolução Iraniana de 1978, quando a monarquia persa do Xá Mohammad Reza Pahlavi foi derrubada. Os iranianos viam o rei como um fantoche dos EUA, servindo apenas a interesses ocidentais. Com a queda do rei, o Irã tornou-se uma república islâmica que se fechou a esses interesses. Porém, diante de tantos protestos contra o autoritarismo do regime e da busca incessante por um projeto nuclear, o Irã passou a ser visto como uma ameaça global.

Leia Também:

Outro ponto interessante é a forma como se mede a moralidade de quem lidera esses ataques. O presidente dos EUA, Donald Trump, junto com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, somam uma série de ações consideradas imorais no cenário geopolítico, e foram eles os responsáveis pela derrubada do regime iraniano. Todos concordam que a queda de Hitler e do regime nazista foi positiva para o povo alemão e para o resto do mundo, certo? Pois bem, quem liderou aquela derrubada foram Franklin D. Roosevelt e Josef Stalin — que, do ponto de vista moral, também foram autoridades sanguinárias. Porém, não há como negar: eram eles que tinham tamanho suficiente no "pátio da escola" para resolver o problema.

Portanto, meus amigos, a geopolítica funciona assim: manda quem pode e obedece quem tem juízo. Os EUA ainda têm protagonismo nas relações internacionais e, do ponto de vista moral, ninguém que senta à mesa para movimentar peças nesse tabuleiro é exemplo de dignidade. Cabe a você decidir quem está certo ou errado. Mas não se esqueça: quando as bombas explodem, elas não perguntam ideologia nem espectro político.

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
Comentários:
Nego Dan

Publicado por:

Nego Dan

Barbeiro, cristão afrodescendente, formado em educação física e professor de boxe

Saiba Mais

Envie sua mensagem, será um prazer falar com você ; )