A recente decisão da prefeita de Franco da Rocha, Lorena Oliveira (Solidariedade) de instituir o "Fórum Evangélico Municipal" tem gerado um intenso debate e uma onda de críticas por parte da população. A medida, que oficialmente visa estreitar o diálogo da administração pública com o segmento, acabou esbarrando em duros questionamentos sobre o princípio do Estado laico e a falta de representatividade institucional para as demais crenças que compõem o município.
📺 Se inscreva no canal do YouTube do Dois Pontos
📲 Participe do canal do Dois Pontos no WhatsApp
Os principais pontos de discussão
Nas redes e nos grupos de discussão do município, a insatisfação popular gravita em torno de três eixos fundamentais levantados pelos moradores:
-
Defesa do Estado Laico: A principal cobrança é de que a prefeitura, como órgão executivo, deve governar de forma neutra para todos os cidadãos. A institucionalização de um fórum voltado a uma religião específica, sob a chancela da prefeitura, é vista por muitos como uma violação da necessária separação entre religião e máquina pública.
-
Falta de isonomia: Cidadãos de outras matrizes religiosas sentiram-se excluídos e invisibilizados. O questionamento latente é a ausência de espaços similares para religiões de matriz africana, católicos, espíritas, budistas, entre outros, evidenciando um tratamento desigual por parte da gestão.
-
Prioridades da gestão: Parte expressiva das críticas argumenta que o foco do Executivo deveria estar nas demandas estruturais urgentes da cidade — como saúde, educação e infraestrutura —, considerando a medida como um aceno eleitoral descolado das reais necessidades do município como um todo.
A polêmica em torno do Fórum Evangélico também serviu para trazer à tona um comportamento político da prefeita que tem chamado a atenção dos eleitores. Moradores têm apontado a forte e constante presença de Lorena em cultos e eventos evangélicos locais.
Essa aproximação não é exatamente nova, tendo se intensificado de forma estratégica desde a época de sua campanha eleitoral. No entanto, o que antes era tratado de maneira mais discreta — ou visto apenas como uma movimentação típica de candidatos em busca de votos no segmento — agora ganhou holofotes e contornos de política pública. A transição dessa aliança, saindo dos bancos das igrejas para publicações oficiais da prefeitura, gerou incômodo em parte do eleitorado, que avalia a criação do Fórum como uma "recompensa" ou uso político da fé para fidelizar uma base aliada.
A criação de conselhos voltados a segmentos específicos costuma ser uma tentativa de aproximação, mas a iniciativa expôs a gestão da prefeita a acusações de favorecimento religioso. O caso levanta um alerta vermelho sobre a inclusão na cidade.
A população agora acompanha os desdobramentos, aguardando para ver se a prefeitura recuará da decisão, se estenderá a criação de fóruns para representar todas as outras crenças do município ou se manterá a medida mesmo sob pressão.

Comentários: