Quem circula pelas clínicas de Franco da Rocha pode se surpreender ao reconhecer por trás do jaleco branco um dos maiores nomes do basquete brasileiro de todos os tempos: Marcel Ramon Ponikwar de Souza, ou simplesmente Marcel, 68 anos. Ex-ala da seleção brasileira e protagonista de momentos históricos do esporte nas décadas de 70 e 80, como o ouro no Pan de Indianápolis, em 1897, vencendo a então imbatível seleção americana. O ex-atleta agora divide seu tempo entre consultórios médicos na região – atendendo em Franco da Rocha, Valinhos, Louveira e Jundiaí – e dando palestras motivacionais.
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De herói das quadras a médico da família

Marcel, que brilhou em clubes como Sírio e Corinthians e foi peça-chave na medalha de ouro do Pan de Indianápolis (1987), encerrou a carreira como técnico em 2014, após passagem pelo Pinheiros. Desde então, dedicou-se à Medicina da Família e Comunidade, especialidade que exerce com a mesma disciplina que o consagrou no esporte:
— "Não sei o que seria da minha vida sem a medicina. É uma missão que escolhi. Gosto de fazer a diferença na vida de alguém", afirma o ex-jogador, formado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e com residência na USP.
Franco da Rocha na rota de atendimentos

Pelo menos duas vezes por semana, Marcel atende pacientes em Franco da Rocha, onde mantém um consultório. Para muitos, é uma surpresa descobrir que o médico por trás dos diagnósticos já definiu jogos da seleção brasileira e foi campeão mundial de clubes pelo Sírio em 1979.
— "Alguns reconhecem pelo nome, outros pelo sotaque. Quando conto que jogava basquete, sempre vem a pergunta: ‘Você é o Marcel daquela cesta contra a Itália?’", diverte-se, referindo-se ao lance que garantiu o 3º lugar ao Brasil no Mundial de 1978.
O legado além das quadras
A transição do esporte para a medicina não foi acidente. Filho do também jogador Romão de Souza, Marcel sempre conciliou os estudos com o basquete – chegou a treinar mil arremessos por dia enquanto cursava a faculdade. Hoje, usa essa trajetória em palestras que desmitificam o "talento inato":
— "Não acredito em dom. Meu pai me ensinou que o sucesso vem com treino correto e orientação. Fui um jogador mediano até os 16 anos", revela.
O contraste entre duas eras
Crítico ao basquete moderno, Marcel lamenta o que chama de "espetacularização" do esporte:
— "Antes, nós mesmos organizávamos viagens e treinos. Hoje o jogador é uma empresa, com assessores até para postar no Instagram", compara, lembrando que viajava em classe econômica mesmo como estrela da seleção.
Apesar do distanciamento das quadras – hoje só acompanha resultados pelo genro, o ex-jogador Guilherme Giovannoni –, Marcel garante que o basquete segue em seu DNA:
— "Guardo apenas uma camisa da seleção, emoldurada. O resto está aqui", diz, apontando para a cabeça.

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