- Não acredito que ele veio?
- É o enterro do pai dele! Pelo amor de Deus.
- Mas todo mundo sabe que ele foi o responsável pela morte do pai.
- Ninguém tem certeza, como pode querer julgar o homem.
- Esse desgraçado fez divida para usar drogas e todos sabem que entraram na casa, atrás dele e o pai reagiu. Aí eu te pergunto a culpa é de quem?
- Quem vai cuidar da Priscila? Ela só tem seis anos, não vai poder ficar com o Pablo.
- É uma judiação ver a pobre menina abraçar esse sujeito.
- O pai cuidou tão bem da menina, o que aconteceu para o Pablo ter se tornado usuário. Eu ouvir dizer que ele foi responsável pela morte da mãe.
- Também! Só faltava essa. Que Deus tenha piedade dessa menina e mantenha ela longe desse doente.
- Cara o que você tem contra o Pablo, ele foi nosso amigo de infância.
- Amigo não rouba a casa do amigo. Eu nem sei como ele ainda não foi preso.
- Nossa! Olha o homem que entrou, é a cara do falecido, com certeza são irmão, se não for gêmeos eu não digo nada.
- Verdade! São muito parecidos. Não acredito que ele vai abraçar o Pablo, ele nem deve saber que ele é o responsável pela morte do irmão.
- Pois é, o abraço dele foi bem caloroso, parece que eles são bem afetivos.
- Ele tá se posicionando ao lado do caixão, é estranho, parece que é o próprio falecido que está em pé.
- Acho que ele vai dizer alguma coisa.
- Como todos pode ver eu sou o irmão gêmeos do Pedro. A muito tempo eu não o via, e me entristece saber que depois de tanto tempo só posso ver ele nessa ocasião. Mas ele nunca me perdoou, a sua saudosa amada, era apaixonada por mim, e mesmo eu abrindo mão do amor que eu sentia por ela, para que eles ficassem juntos, ele nunca aceitou, e não permitia que me aproximasse. Seu amor incondicional pela esposa, permitiu fazer ela feliz e para mim isso era importante. Ao perde-la, um pedaço dele também se foi e o jovem Pablo que assumiu, não só o pedaço do rim que sua mãe o doou, mas também a amargura do pai que perdeu a esposa na sala de cirurgia. Deus foi generoso ao fazer da pequena Priscila o retrato da mãe, pois acredito que isso fez amenizar o sofrimento do Pedro. Agora nada disso importa, mas aos que ficam podem aprender uma lição. Viver um amor platônico é uma dádiva, mas o amor também se manifesta nos filhos, nos parentes, nos amigos. Saber distribuir o amor é usar a sabedoria e a consciência que Deus nos deu para ser ainda mais feliz.
Que Deus te receba com o amor que ele nos concedeu e que possa consolar os corações daqueles que tanto te amou meu irmão.
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
O texto acima expressa a visão de quem o escreveu, não necessariamente a de nosso portal.
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