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Domingo, 08 de Fevereiro de 2026
O Julgamento.

Luis Amorim

O Julgamento.

Hereditariedade Social

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-Seu cliente matou um adolescente! Dolo eventual com requintes de crueldade sem defesa à vítima. O júri analisou o vídeo e viu quando o réu atira friamente na cabeça da vítima e depois foge levando o aparelho celular. 

          Até quando vamos ser vítimas de homens frios e cruéis que acabam com a vida de uma família inteira?  Mãe, pai e irmãos que serão obrigados a conviver não só com a ausência de seu filho amado, mas também com o trauma e os fantasmas da insegurança, que homens como esse que o Doutor Sebastian insiste em defender, sem levar em consideração o bem estar da sociedade. 

             - Excelentíssimo Doutor Cezar, fico feliz em saber que a promotoria e a população de modo em geral, podem contar com um profissional com a sua dedicação, que vê na sua frente não só o executor de um crime, mas também toda uma sociedade fragilizada com a insegurança que temos que conviver diariamente. Todos trazemos em nossas histórias situações tristes, porém algumas pessoas carregam em suas histórias situações trágicas, e essas são obrigadas a viver situações do cotidiano, que o faz agir por impulsividade, mas não por uma impulsividade emocional ou cognitiva, mas por uma impulsividade social. Essas não aprenderam a lidar com as adversidades que a vida impõe, e agem por impulso, para tentar controlar, amenizar ou até mesmo de se defender, não só da sociedade, mas algo muito mais íntimo, como a sua própria instituição familiar. O meu cliente, ao contrário da vítima, não teve pai, viu seu irmão mais velho ser morto na sua frente por agentes que deveriam proteger. Diariamente via sua mãe chegar em casa com míseros trocados, que conseguia pedindo esmola para comprar um pouco de alimento para seus irmãos menores. A dependência química veio em meio aos recursos que ele conseguia entregando drogas, para que traficantes enriquecessem às suas custas, lhe trazendo prejuízos pessoais, sociais e morais, pois é isso que dependentes químicos deixam para trás: seus familiares, seus amigos, seu trabalho e sua dignidade! Gostaria de dizer para o júri que o réu não é vítima da sociedade, é vítima do seu próprio seio familiar, onde não teve chance de se defender, nem tão pouco a oportunidade de ter quem lhe ensinasse a conviver em sociedade. Não quero eximir ele da responsabilidade de tirar uma vida, mas a culpa de ter aprendido do jeito que lhe foi apresentado, essa culpa não é dele!

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Publicado por:

Luis Amorim

Psicólogo, escritor, palestrante e empresário, autor de diversos livros, dentre eles: " Livre Arbítrio: O poder da Consciência" e "Outras Vidas: O poder da Compreensão".

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