Dois Pontos | O portal mais atualizado da região do CIMBAJU

Domingo, 08 de Fevereiro de 2026
Parque Estadual do Juquery: o Cerrado resiste — e o Direito deve protegê-lo

Claudia Cavalcante

Parque Estadual do Juquery: o Cerrado resiste — e o Direito deve protegê-lo

Preservar o Juquery é proteger um patrimônio coletivo e garantir que o desenvolvimento regional respeite os limites da natureza.

IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O Parque Estadual do Juquery, situado entre Franco da Rocha e Caieiras, é um dos últimos refúgios de Cerrado dentro da Região Metropolitana de São Paulo. Em meio ao avanço urbano e à pressão constante por novos empreendimentos, o parque se mantém como um lembrete de que desenvolvimento não precisa — nem deve — significar destruição. O Juquery não é apenas um espaço verde; é um patrimônio ambiental, histórico e jurídico que traduz o dever de todos nós, enquanto sociedade, de preservar o que resta de um bioma já tão ameaçado.

A Constituição Federal de 1988 foi clara ao estabelecer o meio ambiente ecologicamente equilibrado como direito fundamental de todos (art. 225). Isso significa que a proteção do Juquery não é apenas um gesto de boa vontade ecológica, mas uma obrigação constitucional que vincula o poder público e a coletividade. Cada metro quadrado do parque representa não apenas uma área de lazer ou pesquisa científica, mas também a efetivação prática desse direito — uma extensão viva da Constituição.

Contudo, as pressões urbanísticas sobre o parque são crescentes. Franco da Rocha, Caieiras, Mairiporã e Cajamar estão entre as cidades que mais crescem na Grande São Paulo, e esse avanço urbano, se não for controlado, ameaça diretamente a biodiversidade, os mananciais e a qualidade de vida da própria população local. O Direito Ambiental, nesse contexto, deve atuar como ferramenta de equilíbrio, impondo limites ao uso do solo e garantindo que o desenvolvimento regional ocorra dentro de parâmetros sustentáveis.

Leia Também:

A valorização ambiental do Parque do Juquery precisa ser compreendida também sob o aspecto econômico e social. Áreas verdes bem cuidadas reduzem enchentes, melhoram o microclima e ampliam o turismo sustentável — tudo isso com reflexos positivos na economia local. Políticas públicas voltadas à educação ambiental, à fiscalização e à promoção de atividades ecoturísticas podem transformar o Juquery em um modelo de convivência harmoniosa entre cidade e natureza.

Preservar o Juquery, portanto, é mais do que proteger árvores: é proteger um direito humano essencial, assegurar o futuro das próximas gerações e reafirmar que o desenvolvimento urbano deve caminhar lado a lado com o respeito ao meio ambiente. Em tempos em que o concreto avança rápido demais, resistir é também um ato de cidadania — e o Cerrado do Juquery, silenciosamente, continua a nos lembrar disso.

 

Dra. Claudia Cavalcante

Advogada OAB/SP 468.550

Comentários:
Claudia Cavalcante

Publicado por:

Claudia Cavalcante

advogada, empresária, perita grafotécnica, presidente da Comissão das Mulheres Advogadas (CMA) Subseção da Ordem dos Advogados de Franco da Rocha. Atuante na defesa dos direitos das mulheres. Especialista na assessoria jurídica empresarial...

Saiba Mais

Envie sua mensagem, será um prazer falar com você ; )