O vereador de Caieiras, Ítalo Eudes (PP) voltou atrás na indicação polêmica do "príncipe herdeiro" Dom Bertrand de Orleans e Bragança para receber o título de cidadão caieirense. A matéria veiculada pelo Dois Pontos, sobre o assunto, gerou grande repercussão, principalmente pela questão histórica, da ligação do período da monarquia com a escravidão. Respondendo o contato do portal, o mandato do vereador enviou nota oficial sobre o caso, afirmando que a indicação partiu de sugestão de moradores e foi analisada no âmbito protocolar e cultural, sem viés ideológico.
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Confira nota na íntegra abaixo:
Desde o início do mandato, o vereador Ítalo Eudes Filho mantém seu gabinete aberto para dialogar com diferentes movimentos e representantes da sociedade civil, independentemente de suas pautas, desde que atuem de forma democrática e respeitosa. Esse princípio faz parte da identidade do mandato, que acredita na escuta plural como instrumento de construção coletiva.
Ressaltamos de forma direta, clara e inequívoca que não existe qualquer alinhamento ideológico, político, histórico ou afetivo do vereador Ítalo com o movimento monárquico, com a defesa do retorno da monarquia no Brasil ou com qualquer narrativa que relativize, minimize ou romantize o período escravocrata, reconhecido como uma das páginas mais dolorosas da nossa história.
A comunidade negra ocupa lugar de respeito, consideração, afeto e compromisso de luta na vida pessoal e pública do vereador, que é o parlamentar negro mais jovem da história de Caieiras, oriundo da periferia e com atuação prioritariamente voltada às minorias sociais, à juventude, às pessoas em situação de vulnerabilidade e às pautas de igualdade, dignidade e inclusão. Essa identidade não é apenas biográfica, é compromisso firme, ético e permanente.
A indicação de Dom Bertrand foi apresentada por munícipes e analisada unicamente no âmbito protocolar e cultural, não ideológico, e nunca representou concordância com agendas, interpretações históricas ou posicionamentos associados ao movimento monárquico. O vereador reforça que respeita profundamente a população negra e reconhece que qualquer tema que remeta à escravidão exige sensibilidade, responsabilidade histórica e escuta ampliada.
A repercussão gerada, especialmente na semana da Consciência Negra, reforça a importância do debate e fortalece a percepção de que memória e feridas raciais não podem ser tratadas como assuntos neutros, mas com profundidade, empatia e responsabilidade pública. Por esse motivo, o vereador optou pela revogação da indicação, considerando o compromisso de que nenhum gesto institucional deve ferir ou sensibilizar negativamente a população negra, que é parte essencial da formação social do município e base da trajetória de vida do próprio vereador.
O mandato segue comprometido com a democracia, a igualdade racial, a justiça social e a construção coletiva, reafirmando que a escuta, o respeito e o diálogo são pilares inegociáveis deste trabalho.
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