No dia em que a Guarda Civil Municipal de Caieiras celebra mais um aniversário, nesta quarta-feira (19), um integrante da corporação enviou um forte desabafo para o Dois Pontos no qual questiona se os agentes realmente têm motivos para comemorar. A identidade do servidor será preservada.
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O texto começa reconhecendo as conquistas da GCM e o respeito conquistado junto à população. Em seguida, porém, o agente descreve uma realidade interna marcada, segundo ele, por conflitos, rivalidades, perseguições e falta de união entre os próprios guardas.
“Mas será que podemos comemorar? Não podemos”, afirma. De acordo com o relato, haveria perseguições provenientes de superiores, circulação de mentiras, fofocas e acusações, além de um ambiente considerado turbulento e tenso.
O guarda também questiona os critérios utilizados para a concessão de gratificações financeiras. Segundo ele, alguns servidores estariam sendo beneficiados mesmo sem possuir tempo de serviço que, em sua avaliação, justificasse o recebimento. O desabafo, entretanto, não apresenta nomes, documentos ou informações sobre os critérios administrativos usados nesses pagamentos.
As críticas alcançam ainda a estrutura de comando da GCM. O servidor classifica a atuação da chefia como omissa e desgastada, menciona a situação provisória do subcomando e questiona a distribuição de atribuições entre os ocupantes de funções superiores.
Além dos conflitos internos, o relato aponta problemas na estrutura da base operacional. O agente afirma que o pátio permanece sem iluminação durante a noite e que a entrada do imóvel fica tão escura que pode transmitir a impressão de se tratar de um prédio abandonado. Também são mencionados banheiros com equipamentos danificados ou incompletos.
O servidor ainda aponta um contraste entre os investimentos realizados em tecnologia e a quantidade de guardas disponíveis para o patrulhamento. Caieiras conta com câmeras de monitoramento, reconhecimento facial, leitura de placas de veículos e vigilância de prédios públicos, mas, segundo o relato, não haveria efetivo suficiente para compor todas as novas viaturas.
Aproximadamente oito motocicletas estariam estacionadas no pátio, sem utilização regular e sujeitas à deterioração. O agente também questiona o funcionamento do canil da corporação e afirma não observar atividades sociais da GCM junto à comunidade, às escolas ou aos eventos municipais.
Outro ponto levantado é a suposta concentração das atividades administrativas durante a manhã. De acordo com o desabafo, depois do meio-dia haveria uma redução significativa das ações, com longos períodos de permanência dos agentes na base.
Na parte final do texto, o GCM lamenta a desunião entre os integrantes da corporação. Para ele, enquanto organizações criminosas se estruturam, os guardas que deveriam atuar de forma integrada acabam prejudicando os próprios companheiros por meio de rivalidades, comentários e acusações internas.
“O que temos para comemorar?”, questiona o servidor ao concluir o desabafo.
As declarações representam a versão de um integrante da GCM e, até o momento, não estão acompanhadas de documentos que comprovem todas as situações relatadas. Os apontamentos, contudo, levantam questionamentos de interesse público sobre as condições de trabalho, a gestão dos recursos, o efetivo disponível e o funcionamento da segurança municipal.
Procurada, a prefeitura de Caieiras não se manifestou até o fechamento desta matéria sobre as denúncias.

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