No Dia do Pedagogo, celebrado ontem, 20 de maio, é impossível não destacar a figura de Paulo Freire (1921-1997), o patrono da educação brasileira e um dos pensadores mais influentes do mundo. Sua pedagogia libertadora, centrada no diálogo e na autonomia do aluno, revolucionou a alfabetização de adultos e inspirou educadores globais. No entanto, em meio a polarizações políticas, sua obra tem sido alvo de desinformação e fake news, muitas vezes usadas para desconstruir seu legado.
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A Pedagogia que Transformou a Educação
Paulo Freire defendia que a educação não deveria ser um ato de "depositar" conhecimento, mas sim um processo dialógico, em que professor e aluno aprendem juntos. Seu método, aplicado pela primeira vez em Angicos (RN) em 1963, alfabetizou 300 trabalhadores rurais em apenas 45 dias, usando palavras do cotidiano para conectar aprendizagem e realidade.
Sua crítica à "educação bancária" — onde o aluno é visto como um receptor passivo — continua atual, especialmente em um mundo inundado por informações superficiais. Freire acreditava que a escola deveria formar cidadãos críticos, capazes de questionar estruturas opressoras e transformar sua realidade.
Fake News e a Distorção do Legado Freireano
Nos últimos anos, setores conservadores e políticos de extrema-direita têm associado Freire a supostas "doutrinações ideológicas", acusações que ignoram o cerne de sua proposta: a emancipação pelo conhecimento. Projetos como o "Escola Sem Partido" e discursos de figuras como Jair Bolsonaro tentaram vincular sua obra a uma agenda política, algo que especialistas rebatem como "desconhecimento da pedagogia freireana".
Circulam mentiras como a de que Freire "nunca lecionou" ou que "não tinha formação em educação" — ambas desmentidas por fatos históricos. Ele foi professor, secretário municipal de Educação em São Paulo e recebeu 35 títulos de Doutor Honoris Causa em universidades de todo o mundo.
Por que Freire ainda Assusta?
Para educadores, o ataque a Freire reflete o medo de uma educação que forma pensadores autônomos. "Seu método é perigoso para quem quer manter o status quo de opressão", explica Raquel Franzim, do Instituto Alana. Em tempos de fake news, sua defesa da leitura crítica do mundo se torna ainda mais urgente.
Neste Dia do Pedagogo, celebrar Freire é resistir. Como ele mesmo disse: "Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor". Sua pedagogia segue viva — não só nas escolas, mas na luta por uma sociedade mais justa.
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