A rede estadual de ensino de São Paulo perdeu cerca de 11 mil turmas noturnas na última década, considerando o ensino regular e o EJA (Educação de Jovens e Adultos). Os dados, obtidos via Lei de Acesso à Informação, apontam uma queda contínua entre 2015 e 2025, com o recuo mais acentuado registrado entre 2024 e 2025, já sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
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De acordo com os números da Secretaria Estadual da Educação, o estado passou de 20.392 salas noturnas em 2015 para 9.459 em setembro de 2025, o que representa uma redução de mais de 53%. No mesmo período, o total de escolas com funcionamento noturno caiu de 2.803 para 1.633.
A diminuição acompanha uma tendência de retração no número de estudantes matriculados no período noturno, mas também reflete mudanças administrativas e estruturais na rede estadual, que vem priorizando turmas em período integral e concentrando alunos em menos unidades.
Queda mais acentuada sob gestão atual
Entre 2024 e 2025, o estado registrou a maior redução percentual da década, com 13,84% a menos de turmas noturnas em um único ano. O levantamento inclui escolas estaduais regulares (EE), indígenas (EEI) e unidades localizadas em assentamentos e comunidades quilombolas.
Em muitas regiões, o impacto é sentido especialmente por quem depende do turno da noite para estudar. Em diversas escolas, as turmas do ensino médio foram reduzidas a poucas classes, enquanto o EJA se tornou o principal formato de ensino noturno ainda mantido.
Na Escola Estadual Brigadeiro Gavião Peixoto, em Perus, zona noroeste da capital, por exemplo, o número de salas abertas à noite caiu de 33 em 2015 para apenas sete neste ano, sendo duas de ensino médio regular e cinco de EJA.
Pandemia interrompeu tendência por um breve período
Desde 2015, o fechamento de turmas noturnas ocorreu de forma quase ininterrupta. A única exceção foi registrada em 2022, quando houve ligeira recuperação no cenário pós-pandemia. Naquele ano, foram abertas 46 novas salas de aula à noite, impulsionadas principalmente pela criação de 532 turmas de ensino médio.
A partir de 2024, contudo, a tendência voltou a ser de queda, resultando no menor número de turmas noturnas da década. O cenário consolida uma trajetória de redução progressiva do ensino noturno na rede estadual paulista, especialmente em regiões mais periféricas, onde a oferta de vagas neste período ainda representa uma alternativa importante para jovens e adultos que trabalham durante o dia.

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