Parecendo desconhecer o passado do próprio país, o vereador mais jovem de Caieiras, Ítalo Eudes (PP), causou espanto ao indicar para o título de cidadão caieirense o "príncipe imperial" Dom Bertrand de Orleans e Bragança, que se autointitula como pretendente ao trono brasileiro. A ideia parece simples e até inofensiva, mas pegou mal para muita gente. Afinal, o que significa, nos dias de hoje, homenagear a família que comandou o país na época da escravidão?
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A discussão vai muito além de uma simples cerimônia. Ela mexe com uma ferida que o Brasil nunca tratou direito: que passado a gente quer lembrar e celebrar? E qual parte da história a gente prefere esquecer?
O problema não é a monarquia, é a escravidão
Em pleno mês da consciência da negra, é importante lembrar: o Brasil foi o último país das Américas a acabar com a escravidão. E durante todo o tempo do Império, com Dom Pedro I e Dom Pedro II no poder, milhões de homens, mulheres e crianças negras foram escravizados, torturados e tratados como objetos. A família real não era só espectadora; ela era a chefe do país que permitia e lucrava com isso.
Enquanto a nobreza vivia com luxo, o povo negro sofria no tronco e no chicote. Não dá para separar a Monarquia da escravidão. São coisas que andaram juntas.
O Dois Pontos enviou questionamentos para o vereador, porém, até o momento não recebeu retorno. O espaço segue aberto.

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