Eu sempre soube que faria parte do mundo editorial, mas nunca me imaginei realizando a direção editorial de um livro. O “Contos Moratenses” é um projeto contemplado na Lei Aldir Blanc de Francisco Morato e consiste na publicação de uma antologia homônima.
A nossa equipe realizou um chamamento de contos de autores residentes nas cidades do Cimbaju - Francisco Morato, Franco da Rocha, Cajamar, Caieiras e Mairiporã. Os textos, em sua maioria, tinha uma visão otimista e quase sonhadora da cidade que chamamos de lar. Porém, em alguns momentos, alguns dos desafios que os moradores enfrentam surgiram.
A curadoria focou em criações que, principalmente, mantiveram o rigor com o formato textual proposto. O conto possui inicio, meio e fim, além de poucos personagens e local e tempo bem definidos. O local, como vocês podem imaginar, era a cidade de Francisco Morato fotografada por Tamiris Tamieris.
Olhar os textos organizados de acordo com as fotos, depois de um tempo, para de fazer sentido. Página a página, os olhos vão se acostumando de uma forma que a gente quase não nota os possíveis erros. No momento de construção de um livro, quanto mais pares de olhos para revisar e ler ler ler, menor a chance do erro passar e ficar registrado para sempre.
Porque um livro é eterno, e a gente fala pouco sobre isso.
Mais do que um filme, e infinitamente mais do que uma peça de teatro, o livro mora eternamente na casa das pessoas. Pode ficar esquecido num cômodo, desbotar ao ficar exposto ao sol, mas - assim como uma foto - registra eternamente aquele momento histórico, aqueles pensamentos, aquelas palavras e as imagens (reais ou não) que passam a habitar as mentes dos leitores.
Esse é um dos principais motivos de termos escolhido esse tema de projeto: registrar e documentar uma cidade, para começar a criar uma noção de identidade. E, mesmo sem publicá-lo ainda, já deu para perceber que a nossa cultura fala muito sobre:
A história daqueles que buscam a casa, como a Flávia, em “A última estação”, de Stefane Magalhães. De quem está à procura da inocência, feito o menino pongauense, no conto “O brinquedo”, de J. R. Martins. A história dos trabalhadores, conforme o olhar do personagem Kleber, em “Olhai as aves da praça”, de Marçal Machado. Aquela dos que conseguem romper com o asfalto, tal como Aurora, no conto de mesmo título, de Yasmin Malaquias. E a história de quem se reencontra com a cidade, como a narradora de “Entre Pétalas e Palavras", de Cleuza Lucas.
Chegando no último mês da gestação, enquanto estamos em vias de enviar o livro para a gráfica, a ansiedade de ver seu rosto, de ver como ele se relaciona no mundo, de como os autores se veem ali, começa a aumentar a ponto de quase senti-lo pronto.
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