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Segunda-feira, 20 de Abril de 2026
A BOLSA AMARELA E AS TRÊS GRANDES VONTADES DE UMA MENINA

Amara Hartmann

A BOLSA AMARELA E AS TRÊS GRANDES VONTADES DE UMA MENINA

Como o livro infanto juvenil enfrentou a ditadura, os adultos e os homens com a força da imaginação

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Eu gosto de perguntar no Besouro Literário, meu programa de entrevistas, como os autores escolhem suas leituras - porque eu mesma tenho dificuldade de escolher as minhas. Apesar de trabalhar com escrita, sempre tive o cuidado de dividir minhas leituras em dois tipos: as leituras obrigatórias por conta de algum trabalho (acontece muito) e livros que eu quero muito ler por prazer. Prazer e leitura são duas coisas que eu não quero nunca separar.

Li “A Bolsa Amarela” por conta de um trabalho, mas fazia um bom tempo que eu não sentia tanto prazer em uma leitura. Ri, me emocionei, me senti contemplada, me choquei e queria muito que não acabasse.

O livro conta a história da Raquel, uma menina que possui três grandes vontades: ser gente grande, ser menino e se tornar escritora. Ao enfrentar as dificuldades de não ser ouvida pela sua família, ela acaba encontrando em uma bolsa amarela histórias e amigos que ajudam superar suas questões e se aproximar das suas vontades (que também estavam na bolsa!).

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Eu me vi muito na Raquel.

Quando criança, sempre me senti mais confortável conversando com adultos. Por mais que tivesse toda atenção e respeito dos meus pais dentro de casa (era meio que uma Casa dos Consertos – quem leu vai entender), do lado de fora, não me achava infantil. E até hoje acho esquisito que muitos adultos excluam tanto as opiniões e vontades das crianças – afinal de contas, os humanos mais jovens são mais puros e menos suscetíveis a tantos vícios sociais que possuem os adultos.

 

A segunda vontade de Raquel é ser menino, mas não porque não se vê no corpo de menina, mas porque inveja a liberdade que os meninos têm. É lindo pensar que a autora, Lygia Bojunga, já tenha escrito sobre esse sentimento em 1976 – sim, no meio da ditadura militar, sim, para crianças! Lygia, aliás, que eu não conhecia e, assim como eu, veio do teatro para a literatura infantil. No decorrer do livro, é lindo ver a Raquel percebendo que não, ela não queria ser menino, o que ela queria tem outro nome: liberdade.

 

Aliás, menção honrosa para a história do Galo Terrível que tem seus pensamentos costurados para pensar apenas em brigar e ganhar todas as brigas que se mete. Ele brigou 132 e perdeu 3, se não me engano. Se isso não é uma crítica a Hobbes (para crianças), eu não sei o que é!

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Amara Hartmann

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Amara Hartmann

Atriz, autora, produtora cultural cofundadora da Romã Atômica e apresentadora do Besouro Literário.

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