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Quinta-feira, 24 de Setembro 2026
Tecnologia está em todos os lugares — inclusive onde não percebemos
Vitor Hugo Kawahara

Tecnologia está em todos os lugares — inclusive onde não percebemos

Hoje praticamente tudo que fazemos tem tecnologia por trás

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Quando fazemos um PIX, acessamos o aplicativo do banco, compramos pela internet ou simplesmente mandamos uma mensagem pelo celular, existe uma grande estrutura trabalhando para que tudo aconteça em poucos segundos.

E talvez essa seja uma das coisas mais interessantes da tecnologia: quando tudo funciona bem, praticamente ninguém percebe o que existe por trás.

Ao abrir um aplicativo bancário, por exemplo, não pensamos nos servidores, redes, bancos de dados, sistemas de segurança e profissionais envolvidos naquela operação. Para quem está utilizando é simples: colocar o valor, confirmar e pronto.

Mas por trás daqueles poucos segundos existe um mundo inteiro.

Quem trabalha com tecnologia conhece bem essa realidade. Um servidor pode passar meses funcionando perfeitamente e ninguém vai perguntar quem está mantendo aquilo disponível. Basta ficar alguns minutos fora do ar para todo mundo perceber.

É assim com a internet, sistemas bancários, aplicativos, sites e vários outros serviços que utilizamos diariamente.

Imagine passar um dia sem PIX, aplicativos bancários, sistemas de empresas ou compras pela internet. Seria um grande problema.

Isso mostra como a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta e passou a fazer parte da nossa vida.

O outro lado da tecnologia

Quanto mais conectados ficamos, maior também é o interesse de criminosos pelo ambiente digital.

Quando falamos em ataque cibernético, muita gente ainda imagina aquela cena de filme: uma pessoa na frente de vários monitores digitando códigos até conseguir invadir um sistema.

Na vida real, nem sempre é assim.

Existem ataques extremamente sofisticados, mas também existem situações em que o criminoso procura simplesmente o caminho mais fácil.

E esse caminho pode ser uma pessoa.

Durante minha trajetória profissional trabalhei na C&M Software, empresa de tecnologia que atua no mercado financeiro e de pagamentos. Foi uma experiência importante para minha carreira e que me colocou em contato com ambientes nos quais a segurança da informação precisa ser tratada com muita responsabilidade.

Algum tempo depois, quando eu já não fazia mais parte do quadro de funcionários da empresa, fui procurado por uma pessoa interessada em obter informações sobre aquele ambiente.

Durante a conversa, fui questionado sobre como seria possível "hackear" o sistema de acesso da empresa. Também tentaram obter comigo informações relacionadas à existência e ao funcionamento de um possível acesso privilegiado — basicamente, um acesso com permissões maiores dentro de um sistema.

Eu não forneci nenhuma informação e não colaborei de nenhuma forma com a tentativa.

Mas aquela situação ficou marcada para mim porque mostrou, na prática, uma coisa muito importante sobre segurança digital.

A tentativa não começou atacando um servidor.

Não começou tentando descobrir uma senha.

Começou com uma conversa.

Às vezes, o alvo é a pessoa

É justamente aí que entra algo muito conhecido na segurança da informação: a engenharia social.

Em vez de atacar diretamente a tecnologia, alguém tenta convencer uma pessoa a fornecer informações que possam ajudar em um ataque.

Perguntas aparentemente simples, como "Como funciona o acesso?", "Quem consegue acessar esse sistema?" ou "Existe algum usuário com mais permissão?", dependendo do contexto, podem ter uma intenção completamente diferente.

Uma pequena informação pode levar a outra.

Essa experiência também reforçou algo que considero muito importante: a responsabilidade sobre determinadas informações não termina necessariamente quando deixamos uma empresa.

Quem trabalha com tecnologia pode conhecer sistemas, processos, estruturas internas e formas de acesso. Essas informações precisam continuar sendo tratadas com responsabilidade.

Para mim, isso também é uma ética profissional.

E você não precisa trabalhar com TI para ser alvo de engenharia social.

Mensagens como "Seu cartão foi bloqueado", "Detectamos uma compra suspeita", "Você recebeu um PIX" ou até alguém se passando por um familiar pedindo dinheiro seguem um princípio parecido.

O objetivo é fazer você agir antes de pensar.

Pode ser clicar em um link, informar uma senha, passar um código ou simplesmente fornecer uma informação.

Por isso, segurança digital não depende apenas de ferramentas. Também depende das pessoas.

Segurança funciona em camadas

Não existe um botão capaz de deixar uma empresa 100% segura.

Segurança funciona através de camadas.

Senhas fortes, autenticação em dois fatores, firewall, monitoramento, backup e treinamento das pessoas são algumas delas.

Cada camada dificulta um pouco mais o caminho de quem está tentando atacar.

No episódio que vivi, não foi necessária nenhuma ferramenta sofisticada para impedir aquela tentativa. A principal proteção naquele momento foi simplesmente entender que aquelas informações não deveriam ser compartilhadas.

Tecnologia sem complicação

Trabalho há vários anos com tecnologia, principalmente nas áreas de infraestrutura, redes e segurança da informação.

Durante essa trajetória acompanhei servidores, redes, sistemas, incidentes, tentativas de ataques e vários outros acontecimentos que normalmente ficam escondidos de quem apenas utiliza a tecnologia.

E uma coisa que aprendi nesse caminho é que tecnologia não precisa ser complicada.

Às vezes o problema não é o assunto. É a maneira como ele é explicado.

E essa é justamente a proposta desta coluna.

Quero utilizar este espaço para conversar sobre segurança digital, inteligência artificial, internet, servidores, computação em nuvem, golpes, proteção de dados e outras tecnologias que fazem parte da nossa vida.

Algumas vezes vamos entrar um pouco mais na parte técnica. Em outras, vamos falar sobre situações do nosso cotidiano.

Mas sempre tentando responder uma pergunta:

Como isso afeta a nossa vida?

Porque não precisamos trabalhar com TI para entender tecnologia.

Ela está no nosso trabalho, no nosso dinheiro, nas empresas, dentro das nossas casas e na maneira como nos comunicamos.

Entender um pouco melhor esse mundo deixou de ser apenas uma curiosidade.

Está se tornando uma necessidade.

E essa conversa está apenas começando.

Dica do especialista

Se alguém procurar você pedindo informações sobre sistemas, acessos, senhas ou procedimentos internos de uma empresa, mesmo que você já não trabalhe mais nela, não forneça essas informações.

E quando receber uma mensagem envolvendo dinheiro, PIX, banco ou senha, desconfie da urgência e confirme a informação através dos canais oficiais.

Na segurança digital, muitas vezes o primeiro firewall é a própria pessoa.

Vitor Hugo Pereira de Souza Kawahara
Especialista em Infraestrutura, Redes e Segurança da Informação

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): internet

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Publicado por:

Hugo Kawahara

Vitor Hugo Kawahara é fundador e CTO da TechwayHosting, com formação em Segurança da Informação e experiência em infraestrutura, DevOps e cibersegurança.

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