A Prefeitura de Franco da Rocha, sob a gestão da prefeita Lorena Oliveira (Solidariedade), oficializou a adesão a uma Ata de Registro de Preços que prevê gastos de até R$ 654.106,80 em serviços de coffee break e buffet ao longo dos próximos 12 meses. A medida, publicada recentemente, chama a atenção por ocorrer em um momento de busca por empréstimos para o município.
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De acordo com o Extrato de Adesão à Ata (ARP nº 001/2026 – PE nº 004/2026), a Prefeitura de Franco da Rocha atua como "Órgão Aderente", aproveitando uma licitação originalmente gerenciada pela Prefeitura vizinha de Francisco Morato. A empresa detentora da ata e responsável pelo fornecimento é a Dolleto Doces e Salgados Ltda.
O objeto do contrato é o "Registro de preços para a prestação de serviços de coffee break e buffet", um tipo de despesa comum na administração pública para eventos, reuniões e inaugurações. No entanto, o montante reservado — que ultrapassa meio milhão de reais anuais — levanta questionamentos sobre as prioridades de gastos do Executivo.
Contraste com Pedido de Empréstimo
O expressivo valor destinado a lanches e eventos ganha ainda mais repercussão quando analisado o contexto financeiro recente da cidade. Há poucas semanas, a prefeita Lorena Oliveira enviou à Câmara Municipal um projeto de lei solicitando autorização para contrair um empréstimo superior a R$ 120 milhões.
A justificativa para a busca de crédito externo geralmente envolve a necessidade de grandes obras de infraestrutura e investimentos que o orçamento corrente do município não comporta. Para críticos e parte da população, a reserva de mais de R$ 650 mil para serviços de buffet soa contraditória frente à alegada necessidade de endividamento da cidade para viabilizar projetos estruturais.
O modelo de "Adesão à Ata" (conhecido popularmente como "carona") é um procedimento legal e previsto na legislação de licitações, permitindo que um órgão público utilize os preços registrados por outro, visando agilidade. Vale ressaltar, também, que o valor de R$ 654 mil é uma estimativa máxima de gastos, o que significa que a Prefeitura não é obrigada a consumir todo esse montante durante a vigência de 12 meses do contrato.
Ainda assim, o episódio deve gerar debates na Câmara Municipal e entre os cidadãos franco-rochenses sobre a austeridade e a alocação de recursos públicos em um momento em que a cidade planeja assumir uma dívida milionária de longo prazo.
Procurada, a Prefeitura de Franco da Rocha não se manifestou sobre o assunto, até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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