Em 11 de agosto de 1827, D. Pedro I assinava a lei que criava os dois primeiros cursos jurídicos do Brasil, em São Paulo e em Olinda. Foi dessa data, quase dois séculos atrás, que nasceu o marco simbólico que hoje comemoramos como o Dia do Advogado. E vale lembrar por que essa data segue relevante: a Constituição Federal, no artigo 133, define o advogado como indispensável à administração da justiça. Não é retórica. Sem alguém que provoque o Judiciário em nome de outro, a Justiça simplesmente não se move sozinha.
Advogar é um ofício de bastidores. Trabalhamos nas madrugadas debruçadas sobre autos, nas petições revisadas até que cada palavra pese exatamente o que precisa pesar, nos telefonemas fora do horário porque um cliente está com medo e precisa ouvir que alguém está cuidando do problema dele. Transformamos angústia em argumento, injustiça em petição, medo em estratégia e quase sempre sem aplausos, porque o protagonismo nunca é nosso, é de quem representamos.
A tecnologia mudou a rotina do escritório: inteligência artificial acelera pesquisa, automatiza minutas, otimiza prazo, e isso é bom, devemos usar essas ferramentas sem medo. Mas nenhuma automação substitui o que sustenta a profissão: o julgamento humano diante de um caso concreto, a leitura fina do que realmente está em jogo para cada cliente, que quase nunca é só dinheiro, quase sempre é dignidade.
Por isso, neste 11 de agosto, celebro cada colega que, mesmo cansado, atendeu mais uma pessoa com paciência; celebro quem atua pro bono e quem sustenta teses vencidas sabendo que talvez sejam vencedoras daqui a alguns anos; celebro as mulheres que romperam um espaço historicamente masculino e hoje disputam, com méritos, os lugares de liderança da categoria; celebro quem advoga longe dos grandes centros, resolvendo com o mesmo rigor técnico a vida de gente simples.
A advocacia é, no fundo, um ato de fé na palavra e na razão como instrumentos capazes de vencer a força bruta. Escolhemos discutir onde outros brigariam, argumentar onde outros imporiam. A cada colega que hoje lê estas linhas entre uma audiência e um prazo fatal: obrigada por sustentar, com toga ou sem ela, a ideia simples e poderosa de que todo mundo merece ser defendido.
Feliz Dia do Advogado.
Claudia Cavalcante
Advogada OAB/SP 468.550
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