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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026
Brasil é o eterno país do “agora vai”

Nego Dan

Brasil é o eterno país do “agora vai”

Entenda como funcionou na prática o nosso Estado Democratico de Direito depois da Constituição de 1988, eleição por eleição

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Amigos e Amigas do nosso Brasil como todos temos acompanhado nos últimos tempos temos vivido um momento complicado da nossa democracia, temos um país rachado ao meio ideologicamente, uma crise social, econômica e política que preocupa a todos, nas eleições de 2022 venceu o governo que tanto prometeu dialogar com ambos os lados e trazer uma conciliação no Estado Democrático de Direito, porém na prática não vemos nada disso, temos um presidente de discursos reacionários que muitas vezes aparece com baldes de gasolina para tentar apagar incêndios no que diz respeito a assuntos que têm o interesse direto da população brasileira, e agora no dia 18/02/2025 a Procuradoria Geral da República (PGR) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma denúncia que envolve vários crimes supostamente cometidos por nada mais nada menos que Jair Bolsonaro e mais de trinta pessoas ligadas direta e indiretamente ao seu governo, crimes esses como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e de tentativa de golpe, Bolsonaro é talvez a principal figura que de fato representa um oposição ao governo atual de Lula porém corre um sério risco de pegar mais de 30 anos de prisão com todo esse imbróglio é interessante entendermos um pouco sobre o nosso poder executivo desde a nossa Constituição de 1988 que sempre viveu momentos de efervescência, agitação e caos.

            Em 5 de outubro de 1988, o presidente da Assembleia Constituinte e deputado federal Ulysses Guimarães, presidiu no plenário da Câmara dos Deputados a sessão solene de promulgação da nova Carta Magna, a partir dali estava valendo a nossa tão sonhada Constituição, após mais de duas décadas de Regime Militar uma ditadura travestida com a palavra regime o Brasil sonhava em viver a sua democracia, depois de cinco anos de um governo de transição de José Sarney, no dia 17 de dezembro de 1989 com 46,97% dos votos Fernando Collor de Mello do Partido de Reconstrução Nacional (PRN) era eleito presidente do Brasil pelo voto direto desde Jânio Quadros em 1960. Um governo desastroso que logo de cara Collor resolveu confiscar o dinheiro da poupança de todos os brasileiros deixando apenas o equivalente a 50 dólares para cada, uma manobra fiscal arriscada e em meio a escândalos de propina com seu tesoureiro de campanha PC Farias e suposto uso de cocaína denunciados por seu próprio irmão Pedro de Mello, em 30 de dezembro de 1992 o desgoverno de Fernando Collor sucumbiu por um pedido de impeachment de 441 votos a favor e 38 contra, caiu o aquele que era a esperança do Brasil para o início dos anos de 1990.

            Em 1 de Janeiro de 1995 subiu a rampa do Palácio do Planalto Fernando Henrique Cardoso como segundo presidente eleito pelo voto direto após a constituinte de 1988, um governo que veio a todo vapor e tinha tudo para passar ileso, até que em 28 de fevereiro de 1997 um emenda constitucional abriu a possibilidade de reeleição para o presidente da república, até aí tudo bem se não fosse os suposto esquemas de compra de votos no congresso que manchou o mandato de FHC, que mesmo assim foi reeleito em 1998 para mais quatros de governo.

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            Na data de 1 de janeiro de 2003 a esperança dos trabalhadores brasileiros nunca tinha falado mais alto até aquele momento, Luiz Inácio Lula da Silva um nordestino, ex-metalúrgico, sem diploma de ensino superior, quebrou o preconceito e com muita vontade de mudar o rumo desse país em especial dos mais pobres tomou posse da cadeira presidencial do Brasil, um governo que foi reeleito em 2006  e reconhecido internacionalmente até hoje pelas suas políticas sociais como a criação de programas como Fome Zero, Bolsa Família, MInha Casa MInha Vida e a potencialização do SUS e FIES, Lula chegou a ser chamado de “o cara” por Barack Obama tamanha popularidade do chefe mandatário brasileiro que quase passou ileso em seus dois mandatos, eu disse quase, escândalos como mensalão e petrolão tiraram o sono do presidente porém em 7 de abril de 2018 Lula já não mais presidente foi preso condenado a 12 anos de prisão por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro investigação feita pela operação Lava Jato sob a sentença do Juiz Sérgio Moro.

            Pela primeira vez em 1 de janeiro de 2011 uma mulher seria presidenta do Brasil assim como Dilma Rousseff gostava de ser chamada “Presidenta” a sucessora de Lula que foi reeleita em 2014 chegou a ter índices de aprovações maiores que Lula seu antecessor, mas como dito antes o Brasil que sempre viveu uma trajetória de efervescência política na data de 31 de agosto de 2016 Dilma foi afastada do cargo de Presidente da República com diversas acusações de corrupção e as famosas pedaladas fiscais o impeachment estava consumado.

            Com o lema de Deus, Pátria, Família e Liberdade e um discurso digamos que controverso dia 1 de janeiro de 2019 o ex-deputado federal e capitão do exército Jair Messias Bolsonaro assumia o cargo mais importante do Brasil, com um governo que ficou marcado por episódios como a pandemia da COVIC-19, o gasto exacerbado de emendas parlamentares através do orçamento secreto e suas falas que muitas vezes demonstravam muito desequilíbrio emocional Bolsonaro não conseguiu sua reeleição em 2022, perdendo para Lula que voltou a ter seus direitos políticos graças as anulações de seus processos na operação Lava Jato, eleição essa que foi a mais equilibrada da história desse país.

            Agora que fizemos esse pequeno resumo desde a nossa Constituição de 1988 chegou a hora deixarmos as posições partidárias de lado analisar e refletir sobre a nossa democracia, desde a eleição direta de Fernando Collor de Mello nós elegemos cinco presidentes, com três reeleições, desses cinco presidentes dois sofreram impeachment, um supostamente comprou votos no congressos para fazer valer sua reeleição, um foi preso e outro está prestes a ter o mesmo caminho da prisão, o Brasil é o eterno país do “agora vai” porém os privilégios da elite nunca mudam, a corrupção cada vez fica mais latente, sem contar que os rumores sobre outro impeachment sobre o atual governo de Lula ex-presidiário e eleito pela terceira vez ganha força a cada dia que passa, portanto se você leitor que não toma lado partidário nenhum há de concordar que o Brasil não vive um momento de estabilidade tanto social, econômico e muito menos político e embora nós queremos saber o desfecho das denúncias que envolvem Bolsonaro a pergunta que fica é a seguinte: Para onde nós vamos? Pois o Brasil não está em lugar nenhum e também não tem para onde ir.

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
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Nego Dan

Barbeiro, cristão afrodescendente, formado em educação física e professor de boxe

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