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Quinta-feira, 14 de Maio de 2026
Franco da Rocha é referência no enfrentamento à violência doméstica: uma rede de proteção, autonomia e cidadania

Claudia Cavalcante

Franco da Rocha é referência no enfrentamento à violência doméstica: uma rede de proteção, autonomia e cidadania

Município se destaca pela estrutura robusta de atendimento e pela articulação entre segurança, saúde e desenvolvimento social.

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Franco da Rocha se destaca como exemplo de boa prática no enfrentamento à violência doméstica, reunindo uma rede de apoio eficiente e integrada para atender as mulheres vítimas de violência. O município tem se esforçado para proporcionar um atendimento de qualidade, humanizado e especializado, com a articulação de diversos serviços essenciais. A Casa Bitita, o NUPAVV (Núcleo de Prevenção e Assistência às Vítimas de Violência), a Guarda Municipal e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico formam uma rede robusta, permitindo que a mulher, ao buscar ajuda, encontre um apoio completo, que vai desde o acolhimento imediato até a reintegração profissional e social.

A Casa Bitita oferece acolhimento seguro para as vítimas de violência doméstica, proporcionando abrigo, apoio jurídico e psicológico. O NUPAVV complementa esse cuidado, oferecendo assistência médica e psicossocial, garantindo que a mulher tenha acesso ao cuidado necessário para superar os danos causados pela violência. A Guarda Municipal de Franco da Rocha tem papel fundamental, promovendo a segurança no município e assegurando o cumprimento das medidas protetivas. Já a Secretaria de Desenvolvimento Econômico contribui para a autonomia das mulheres ao encaminhá-las para oportunidades de emprego e capacitação, promovendo a independência financeira, um dos fatores chave para romper o ciclo de violência.

Esse modelo de atendimento não é apenas uma resposta emergencial; ele é estruturado de forma que cada órgão complementa a ação do outro, criando uma rede de proteção que garante que a vítima seja atendida em todas as suas necessidades. A legislação brasileira, especialmente a Lei Maria da Penha, estabelece a responsabilidade do Estado em garantir proteção integral às mulheres em situação de violência, e o município de Franco da Rocha tem se empenhado em cumprir esses preceitos de forma exemplar. A união entre saúde, segurança pública, assistência social e desenvolvimento econômico cria uma abordagem holística que não apenas responde aos casos de violência, mas também trabalha na prevenção e no empoderamento das mulheres.

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Entretanto, é fundamental que se reconheça que a estrutura de atendimento, embora robusta, ainda enfrenta desafios. Uma das áreas que carece de atenção é a implementação de um local adequado para a realização de exames de corpo de delito. Hoje, esses exames são feitos em unidades externas, o que, além de gerar custos e deslocamentos, pode retardar a coleta de provas e comprometer a agilidade do processo judicial. Para aprimorar esse serviço, seria essencial a criação de uma unidade dentro do complexo do Juquery, onde a Sala Lilás poderia ser integrada, centralizando o atendimento e proporcionando mais eficiência ao sistema de acolhimento. A instalação desse serviço agregaria maior rapidez no atendimento, evitando que a vítima seja revitimizada pelo processo de deslocamento e pela demora na coleta da prova.

Outro ponto que ainda demanda melhoria é a ampliação e fortalecimento da divulgação dessa rede de apoio. Apesar da grande qualidade dos serviços prestados, muitas mulheres ainda não têm acesso à informação sobre como buscar ajuda. A inclusão de informações sobre os serviços disponíveis — como a Casa Bitita, o NUPAVV, a Guarda Municipal e os canais de denúncia — em rádios locais, nos terminais de ônibus e no Parque Municipal pode ajudar a ampliar a conscientização e o acesso a esses serviços. É preciso tornar a rede de apoio visível, para que as mulheres saibam onde buscar ajuda de maneira rápida e eficaz. O fortalecimento da comunicação é, portanto, uma ferramenta essencial para a ampliação do impacto dessa rede de proteção.

No entanto, mesmo com essas áreas de melhoria, já podemos afirmar com segurança que o sistema de acolhimento e proteção de Franco da Rocha é um modelo de sucesso. A atuação integrada entre diferentes órgãos da administração pública, com foco na humanização e no empoderamento das mulheres, já tem mostrado resultados concretos e impactado positivamente a vida das vítimas de violência doméstica. A cidade não apenas cumpriu com os requisitos legais estabelecidos pela Lei Maria da Penha, mas foi além, criando soluções que fazem a diferença no dia a dia da população.

É indiscutível que uma sociedade e um município fortalecidos é o exercício do mais irrestrito direito fundamental da dignidade humana. O modelo implantado em Franco da Rocha, com o trabalho conjunto entre a Casa Bitita, o NUPAVV, a Guarda Municipal e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, pode, e deve, ser considerado um modelo a ser seguido em âmbito nacional. O município tem conseguido proporcionar um atendimento de qualidade e uma rede de apoio eficiente, que garante não só a proteção das vítimas, mas também sua reintegração social e econômica, pilares essenciais para a efetividade das políticas públicas voltadas para o enfrentamento da violência doméstica.

Apesar dos avanços, como mencionados anteriormente, é necessário dar continuidade ao processo de aperfeiçoamento da estrutura, com a implementação de um local adequado para exames de corpo de delito e a melhoria na divulgação dos serviços oferecidos. São medidas simples, mas de grande impacto, que podem transformar a realidade da rede de apoio no município.

Mas, em termos gerais, é possível afirmar com segurança que Franco da Rocha está na vanguarda do atendimento às mulheres vítimas de violência, criando um sistema que integra saúde, segurança, justiça e desenvolvimento econômico. Isso é algo que deve ser celebrado e reconhecido, pois essa rede de apoio tem o poder de mudar a vida das mulheres, oferecendo não apenas proteção, mas dignidade e esperança para o futuro.

 

Dra. Claudia Cavalcante

Advogada OAB/SP 468.550

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Claudia Cavalcante

advogada, empresária, perita grafotécnica, presidente da Comissão das Mulheres Advogadas (CMA) Subseção da Ordem dos Advogados de Franco da Rocha. Atuante na defesa dos direitos das mulheres. Especialista na assessoria jurídica empresarial...

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