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Terça-feira, 02 de Junho de 2026
Martin Luther King Jr – A luta de um Homem

Nego Dan

Martin Luther King Jr – A luta de um Homem

“A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todos os lugares”

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Nessa última sexta-feira no dia 04 de abril completou 57 anos da morte de Martin Luther King Jr e hoje vamos falar um pouco sobre os ideais por traz desse homem que lutou até o último dia da sua vida por um mundo melhor onde pequenas crianças viveriam em uma nação onde não seriam julgadas pela cor da sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Portando iremos fazer um breve resumo de sua trajetória até seu último e profético discurso.

                Martin Luther Kings Jr nasceu no dia 15 de janeiro de 1929 na cidade de Atlanta, Geórgia região sul dos Estados Unidos, o reverendo King veio de uma família profundamente envolvida com a Igreja Batista e com o ministério pastoral, bisneto, neto e filho de pastores Batista não teria como seguir outro caminho, ainda criança teve sua primeira experiência com o preconceito racial quando perdeu a companhia de seu melhor amigo os pais do garoto o proibiu de andar com King Jr pois ele era negro e o garoto era branco. Foi então que seu pai explicou sobre o período da escravidão, as leis segregacionistas e o racismo nos Estados Unidos. King teria dito a seu pai: “Eu vou odiar as pessoa brancas”, porém seu pai o advertiu imediatamente dizendo que um verdadeiro cristão deve amar  as pessoas e não odiar, com as instruções vinda de educação familiar somado os ideais de Mahatma Gandhi, King Jr desenvolveu apreço pelas táticas de resistência não-violenta marca que ficou registrada na sua luta pelos direitos civis, king discordava de líderes que não tinham a mesma tática e partiam para o confronto, porém ele entendia que pessoas que crescem em ambientes familiares totalmente desestruturados e sobre forte violência não teria como responder aquele contexto social da mesma forma que ele, exemplo do próprio Malcolm X que foi tão grande quanto king e que defendia o uso da força e de pegar em armas se preciso para a autodefesa, Malcolm cresceu vendo seus tios serem assassinados pela violência racial, seu pai ser espancado e morto por supremacistas brancos, colocado sobre os trilhos de um bonde para que fosse praticamente cortado ao meio, sua mãe diante de tudo isso não soube lidar com a situação e acabou desenvolvendo problemas psicológicos e foi internada em um hospício enquanto Malcolm e seus irmãos foram para orfanatos, a vida não sorriu para Malcolm e ele não tinha motivo nenhum para sorrir pra ela, já King foi totalmente oposto em sua autobiografia ele começa se intitulando como um negro de classe média pois sua família já possuía carros, casas, formação acadêmica o próprio King disse sobre isso: “É muito fácil pra mim imaginar um Deus de amor sobretudo porque cresci numa família em que o amor predominava e as relações estavam sempre presentes [...] É muito fácil pra mim tender mais ao otimismo que ao pessimismo sobre a natureza humana sobretudo em função de minhas experiencias da infância”.

                Em 1954 já casado com Coretta Scott king uma jovem cantora que estudou no Conservatório de Música de Nova Inglaterra, King se muda para Montgomery no estado do Alabama onde seu ministério literalmente saiu das quatro paredes da igreja. Foi no Alabama, talvez o estado com maior segregação racial dos Estados Unidos que o reverendo King demonstrou o poder das táticas de não-violência, sobre o gatilho de Rosa Parks uma mulher negra que trabalhava como costureira e que depois de um dia exaustivo de trabalho ao voltar para seu lar dentro de um ônibus se recusou a levantar de um acento destinado para pessoas que brancas a Constituição dizia que aquilo era crime e a senhora Parks foi presa. Foi então que Martin Luther King Jr o pastor-titular na Igreja Batista da Avenida Dexter em Montgomery liderou o histórico boicote aos ônibus da cidade, onde os negros não entrariam nos transportes até que não somente a senhora Parks saísse da prisão mas que também aquela segregação aparada pela Constituição caísse por terra. Aquele foi só o primeiro episódio que o reverendo King se entregaria por inteiro, o pastor apoiaria vários movimentos estudantis, a famosa Marcha sobre Washington com seu icônico discurso “I Have a dream”, a Marcha de Selma a Montgomery. Em 1964 toda a sua dedicação e militância lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz um reconhecimento pelo seu combate à desigualdade racial que lhe custou a sua própria vida.

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                Em fevereiro de 1968 na cidade de Memphis, Tennessee dois trabalhadores morreram esmagados por um caminhão de lixo, esse incidente foi o estopim para uma greve dos trabalhadores do saneamento que predominantemente eram negros. As reivindicações eram objetivas: melhores salários, melhores condições de trabalho e benefícios médicos. King ao saber da greve e que as autoridades da cidade pretendiam demitir os grevistas decidiu partir para Memphis contrariando seu próprio time que dizia que King não deveria se envolver naquela causa pois estava com uma série de compromissos no Sul palestrando numa turnê de campanha contra a pobreza.

                Em Memphis, o reverendo King chegou a discursar para quinze mil pessoas que apoiavam os grevistas. Percebendo que as autoridades não estavam dispostas a atender as reivindicações, king decidiu organizar uma marcha de protesto no dia 28 de março que foi um desastre, pois o que era pra ser pacifico se tornou um caos diante de uma série de atos de vandalismo que se espalhou por Memphis. Diante disso o reverendo discursou para seus aliados no dia 3 de abril no Templo Mason, sede mundial da Igreja de Deus em Cristo e essa foi a sua última fala em público que ficou conhecida como i’ve Been to the Mountain Top [Estive no topo da montanha] nessa fala King convocou uma nova marcha para o dia 5 de abril e as suas palavras foram em tom profético:

                “nós temos dias difíceis pela frente, mas eu não me importo com isso agora. Porque eu estive no topo da montanha. Então eu não dou a mínima. Como qualquer um, eu gostaria de viver uma vida longa. A longevidade tem o seu lugar. Mas eu não estou preocupado com isto agora. Eu quero apenas fazer o desejo de Deus. E ele me permitiu ir ao topo da montanha. E eu olhei ao redor. E avistei a terra prometida. Talvez eu não chegue lá com vocês. Mas eu quero que você saiba esta noite, que nós, como povo, chegaremos à terra prometida. Então estou feliz esta noite. Não estou preocupado por nenhuma coisa. Não temo nenhum homem. Meus olhos viram a gloria da vinda do Senhor.”

                No dia 4 de abril, véspera da marcha, Martin Luther King Jr estava numa varanda do Lorraine Motel com seu amigo e aliado de luta o pastor Ralph Albernathy, quando um homem branco chamado James Earl Ray baleou King no maxilar inferior direito. Estraçalhando sua mandíbula e rasgando seus principais vasos sanguíneos ao cair no chão da varanda seus amigos ainda tentaram estancar o sangue, porém sem sucesso. Martin Luther King Jr foi dado como morto as 19h05 do dia 4 de abril de 1968 aos 39 anos de idade, morria o homem e nascia uma lenda.

                Desde o ano de 1986 é celebrado o dia de Martin Luther King Jr, na terceira segunda-feira de janeiro, um dos poucos feriados nacionais dos Estados Unidos graças a sua luta pacifica. Ao falar do Martin Luther King Jr não devemos comparar, mas sim trazer a memória a vida de Jesus Cristo na terra, a sua luta radical pelos direitos civis rendeu muitos frutos para o seus povo, eu digo radical porque o reverendo King foi preso pelos menos 30 vezes sem ao menos deferir nenhum soco e muito menos puxar um revólver pra alguém e mesmo assim não desanimou , ele que se dizia progressista demais para ser considerado conservador e conservador demais para ser considerado progressista,  reconhecido no mundo todo Martin Luther King Jr foi um pastor que pregou a união de seu rebanho, um porta-voz dos negro americanos e que sempre acreditou na convivência de todos apesar das diferenças.

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
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Nego Dan

Publicado por:

Nego Dan

Barbeiro, cristão afrodescendente, formado em educação física e professor de boxe

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