Com 10 anos de idade, obviamente, eu não sabia sobre crise social, política ou cultural. Sabia do ataque às torres gêmeas e que o mundo não havia acabado na virada do século; que as coisas em casa não eram fáceis financeiramente falando e que eu detestava trocar a fralda da minha irmã mais nova.
Algo curioso é que a mim sempre pareceu normal ter que dizer o óbvio das coisas, porque desde que o mundo é mundo e que eu me reconheço nele, tento expressar meus sentimentos, sempre precisei ser ouvida - uma pequena aprendiz de Mafalda. Na maioria das vezes eu escrevia meus exasperos enjaulados, minha desordem que gritava mentalmente. Ninguém me entendia quando eu questionava o porquê das coisas precisarem ser explicadas ou defendidas- ainda que eu estivesse me referindo ao fato do grêmio estudantil da minha escola nunca tocar rock in roll nos intervalos.
Ainda hoje quando ideias básicas começam a ser questionadas ou atacadas por discursos extremistas, negacionistas ou autoritários, como se fossem controversas, eu respiro e lembro da frase -cujo desconheço a autoria "Que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio?".
Cansa, as vezes esgota, mas ele precisa ser dito quando pessoas/humoristas ricos e importantes defendem os crimes do Léo Lins; toda vez que um pobre perde a vida por causa de um jogo de tigrinho; ou quando professores morrem dentro das salas de aula e ninguém está falando sobre isso, da pressão sofrida , da humilhação e agressão que a categoria vem enfrentando por parte do governo atual.
Sim, meus caros, o óbvio sempre precisou e precisará ser defendido para resistir a confusão e, mais do que nunca, a manipulação. Para o bem da sanidade coletiva, para a sua garantia.
Ainda que o sentimento seja a de um infindo paradoxo. Faz sentido para você?
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
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