O poeta Luiz Carlos da Vila nos deixou, mas deixou uma lição muito importante: não importa o que aconteça, a nossa vida sempre será um grande show. E todo show, vocês já sabem... "Tem que continuar!"
É, meus amigos, o show da vida de Ubirajara Félix do Nascimento, ou simplesmente Bira Presidente, se encerrou na tarde deste sábado, 14 de junho de 2025, no Rio de Janeiro, aos 88 anos, em decorrência da luta contra o câncer de próstata e o Alzheimer.
Bira Presidente recebeu esse apelido por ser o primeiro presidente do bloco Cacique de Ramos. Na década de 1970, reuniam-se todas as quartas-feiras na agremiação, sob a sombra de uma tamarineira, após o futebol entre amigos. Ali estavam nomes como Jorge Aragão, Sombrinha, Almir Guineto, Ubirany, Sereno, Neoci, entre outros. Dessa reunião nasceu o que viria a ser conhecido como o grupo Fundo de Quintal.
Esse movimento ficou conhecido como “A Revolução do Samba”. Almir Guineto introduziu o banjo, Ubirany criou o repique de mão, Sereno desenvolveu o tantã de marcação, e Bira Presidente apresentou uma batida de pandeiro jamais vista antes. Ali nascia uma nova vertente do samba: o pagode, que nada mais era do que a fusão dessa roda de amigos com o samba de partido-alto, irreverente e cheio de identidade.
Talvez Bira Presidente não soubesse, mas aquela roda de pagode idealizada por ele se tornaria um movimento de empoderamento e autoestima, marcando gerações de jovens negros e negras por todo o Brasil.
O samba, que por muitos anos foi criminalizado no Brasil — classificado como "vadiagem" no início do século XX — resistiu. João da Baiana, preso mais de 20 vezes apenas por andar pelas ruas com um pandeiro debaixo do braço, foi um dos que pavimentaram esse caminho. Influenciado pelo pai, Bira Presidente, ainda menino, juntou-se aos irmãos e frequentava rodas de choro e maxixe ao lado desses ícones. Ele aprendeu cedo que tocar pandeiro era mais que entretenimento — era ato de resistência.
Bira Presidente se vai, e com ele vai um pedaço significativo do Brasil. Mas seu legado jamais será esquecido. O gênero que ele ajudou a moldar dominou rádios e televisões, virou tema de novelas, está presente em terreiros e igrejas, atravessou oceanos e hoje é parte da identidade brasileira reconhecida pelo mundo.
Permita-me encerrar com um versículo que traduz bem a resiliência do nosso eterno Bira Presidente:
"Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé."
(2 Timóteo 4:7)
Hoje, conhecido por muitos como Nego Dan uso minhas mãos para adorar a Deus com tambores africanos.
Obrigado, Bira Presidente nós resistiremos.
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