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Quinta-feira, 14 de Maio de 2026
A INFÂNCIA DE UM GÊNIO

Nego Dan

A INFÂNCIA DE UM GÊNIO

Vamos entender como foi a infância daquele que mudou o mundo do pop.

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No último dia 29 de agosto, Michael Joseph Jackson completaria 67 anos, se ainda estivesse entre nós. Quero falar um pouco a respeito da infância do cantor, dançarino, compositor, produtor, empresário, filantropo, entre outras funções que ele exerceu na indústria fonográfica. Para quem me conhece, não é segredo que ele é, sem dúvida, uma das maiores referências musicais que eu tenho. Por isso, digo que só podemos falar um pouco, visto que a vida desse astro – apesar de ter nos deixado com apenas 50 anos – foi tão extensa quanto complexa.

Michael nasceu em 1958, em Gary, Indiana, nos Estados Unidos. Era o oitavo filho da família Jackson – todos negros, pobres e morando no subúrbio. Porém, o talento do pequeno Michael seria suficiente para mudar o status social da família. Ainda criança, teve seus primeiros contatos com a música através da voz de sua mãe, Katherine Jackson, que cantava muito bem em casa, e também por influência de seu pai, Joe Jackson, que era guitarrista de uma banda de Rhythm and Blues. Fred Astaire, Jackie Wilson e James Brown sempre foram grandes referências para ele nas artes de cantar e dançar.

Com apenas 6 anos de idade, Michael já se apresentava ao lado de seus irmãos. Aos 11 anos, eles formaram o grupo Jackson Five e assinaram contrato com a lendária gravadora Motown. Vale lembrar que os irmãos Jackson já vinham se destacando no cenário musical, vencendo diversos concursos. Esses feitos chamaram a atenção do chefão da Motown, Berry Gordy, que resolveu fazer um teste com os pequenos garotos de Gary. Ele ficou impactado com o talento de Michael, que, apesar de ter 11 anos, parecia ter apenas 8 de tão pequeno, mas com uma performance de 25 e uma experiência vocal digna de um cantor de 65 anos.

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Em uma entrevista, Berry Gordy contou que, após a apresentação dos irmãos Jackson, ele e sua equipe ficaram literalmente em estado de choque, especialmente com a performance de Michael. Ainda impactados com o que acabavam de ver, Gordy viu o menino em pé sobre uma cadeira, com o olhar fixo na rua. Ao se aproximar, percebeu que ele observava crianças brincando no playground do outro lado. Foi ali que Berry Gordy teve certeza de que estava diante daquele que se tornaria o maior artista de todos os tempos — porém, naquele momento, ainda era só uma criança que queria brincar.

E é exatamente nesse ponto que quero chegar: a infância de Michael foi muito conturbada. Podemos dizer que muitas etapas foram puladas. Desde muito jovem, ele foi exposto ao trabalho e à fama. Praticamente não frequentou escolas, tendo aulas particulares. Mal socializou com outras crianças além de seus irmãos. Viajou muito e participou de inúmeras turnês, inclusive internacionais. Seu pai, que sempre cuidou da carreira dos filhos, era extremamente severo. Michael, além de muitas vezes ter sido espancado pelo pai, cresceu vendo sua mãe sendo agredida e traída durante as viagens para shows.

Michael viveu em uma família totalmente disfuncional, tornando-se um homem cheio de traumas — e pagou caro por isso. Enfrentou inúmeras acusações de pedofilia, casamentos de fachada, dívidas milionárias, uma aparência cada vez mais desfigurada por conta de procedimentos estéticos, além do vício em remédios, que acabou tirando sua vida. Tudo isso foi reflexo de uma infância deturpada pelo peso da fama e pela responsabilidade de carregar o mundo da música nas costas, sempre com a obrigação de aperfeiçoar a perfeição.

O Rancho Neverland foi uma tentativa de resgatar essa infância perdida. Porém, quis o destino que ali Michael sofresse as acusações mais severas de sua vida. Além de ter tido uma infância interrompida, ao tentar recuperá-la, ele foi acusado de pedofilia e destruído pela opinião pública. Isso o levou a se afundar ainda mais no vício, culminando em sua morte precoce.

Apesar de todos os enormes feitos da carreira de Michael, o seu grande sonho nunca se realizou: ele queria mesmo era interpretar o Homem-Aranha nos cinemas. Esteve bem perto disso nos anos 1990, chegando quase a comprar a Marvel.

Ao vermos um artista como Michael Jackson, temos a sensação de estar muito distantes dele diante da nossa realidade. Porém, se olharmos para nossas próprias infâncias, podemos perceber que temos algo em comum. Talvez muitas coisas tenham ficado mal resolvidas no nosso passado, e por isso precisamos montar nosso quebra-cabeça e buscar preencher as peças que deixaram vazios.

Michael, por muito tempo, foi Testemunha de Jeová e sempre acreditou em Jesus, tendo muito contato com a Bíblia desde sua infância. E, para finalizar, faço uma reflexão: o apóstolo Paulo, diante de algo que o afligia profundamente, orou a Deus pedindo ajuda, e em 2 Coríntios 12:9 está escrito que o Senhor lhe respondeu:
“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.”
Talvez, ao montar o seu quebra-cabeça, você também encontre um vazio que só pode ser preenchido com a graça do Senhor.

O legado de Michael Jackson ficará para sempre em nossos corações.

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
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Nego Dan

Publicado por:

Nego Dan

Barbeiro, cristão afrodescendente, formado em educação física e professor de boxe

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