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Segunda-feira, 20 de Abril de 2026
De morango do amor a Bobbie Goods.

Lua Souza

De morango do amor a Bobbie Goods.

Como as redes sociais hackeiam as nossas mentes e o que isso revela sobre a gente?

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Já não sou a leitora assídua de anos atrás.
 
O novo viral instagramável está dando o que falar, há os que defendem e acham que quem crítica o morango do amor deve se preocupar com problemas reais, afinal tem um monte de gente ganhando dinheiro com isso. E também aqueles que repostam memes do tipo: "zero Bobbie goods, zero morango do amor. Nem melhor, nem pior, apenas diferente!" Será? Conheço o tom de desdém desde a infância.

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 Quando eu estava escrevendo o meu TCC no último ano da faculdade fiz um curso de neurociência e marketing que me ajudou a ter mais propriedade sobre um dos tópicos que eu precisava dissertar, então aprendi sobre neurônios espelho, consumismo, a ditadura da moda e de como ela comanda o que vestimos. Ou você acha mesmo que a roupa que você veste foi você quem escolheu?!
 
Quando se trata de viralização, estamos falando de estímulos cerebrais que moldam nossas emoções, memória, pertencimento, identidade, conexões reais e profundas. O famoso apelo visual atrás das estratégias de comunicação. Vídeos com cortes rápidos, por exemplo, despertam curiosidade. É o famoso conceito: "people like this" - pessoas gostam disso.
 
Pode pesquisar ai, agora, qual é o livro mais vendido atualmente na Amazon, maior plataforma de vendas de livros no Brasil. Não são os best sellers ou Thrillers, tampouco biografias ou livros de fantasias. Pasmem, também não são os de autoajuda.
Bingo, acertou quem chutou os famosos livros para colorir, que nem precisam de palavras, só as canetinhas. Sim, faz sentido os argumentos que os defensores-adultos- dos caderninhos explicam , como redução do estresse, alívio da ansiedade, beleza. Mas e quando vira obsessão?!
 
Freud já analisava como o comportamento individual se transforma em grupo - a chamada psicologia das massas. Popularmente conhecida como efeito manada, que é seguir um coletivo sem refletir sobre o individual. O famoso surto coletivo me parece mais apropriado. Se você não erra, não é excluído, aquela coisa de pecar pelo excesso.
O que isso diz sobre nós?
Taí os especialistas que não me deixam mentir, é como se fosse um sintoma de uma carência simbólica maior: as ansiedades internas que nos assolam mais do que nunca; a busca pelo pertencimento, de se encaixar, aquele negócio do vazio, sabe? Que a todo custo precisa ser preenchido.
 
O morango se torna a manifestação do quanto nós, sujeitos modernos, somos vulneráveis. De novo, não sou eu quem está dizendo!
 
Eu sei que a cultura da leitura aqui é fraca e não nos ensinaram que ler também pode ser prazeroso e descanso. Eu mesma com tanta demanda do ofício acabo não lendo os livros que gostaria . Já não sou a leitora assídua de anos atrás.
 E de verdade, me assusta um pouco as novas subjetividades. 
 
Lua Souza.
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Lua Souza

Lua Souza, 34 anos, mãe e moradora de Franco da Rocha (SP). Poeta de nascença e professora de Língua Portuguesa, recentemente se descobriu cronista. Citação: "Eles passarão, eu passarinho"

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