O folclore é uma das expressões populares mais antigas da criação literária do mundo. Passada de geração em geração, os mitos, lendas, cantigas atravessam o tempo através da oralidade e formam o imaginário nacional e são fundamentais para identidade cultural que partilhamos. Essas narrativas, parte de nossas histórias, não são simples curiosidades culturais: são literatura viva, feita de palavra falada, vivida e compartilhada.
Quem nunca ouviu falar da Cuca? Tarsila do Amaral, expoente do modernismo brasileiro no século XX, representou como imaginava essa figura, como se vê no quadro acima. Essa Cuca é completamente diferente da imagem que temos: da jacaré de cabelo loiro das histórias do Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato. Esses artistas, que participaram do mesmo movimento, mostram como o folclore está conectado, indiscutivelmente, com nossa capacidade de imaginar.
Antonio Candido, teórico da teoria literária, defende que a literatura está muito além do texto escrito no papel, mas são abrange “todas as criações de toque poético, ficcional ou dramático” e que não existe sociedade que tenha se desenvolvido sem o exercício de fabular, criar ou imaginar. Entendido como uma constelação de histórias e símbolos do nosso povo, o folclore é essencial para que nossas raízes sejam lembradas e se mantenham pulsantes.
Em um país formado essencialmente por tradições indígenas, africanas e europeias, o folclore é a expressão mais sensível da nossa diversidade cultural e da resistência das comunidades que preservam, recriam e transmitem suas histórias. Incorporar o folclore às práticas culturais significa assegurar que esse patrimônio simbólico seja reconhecido como literatura legítima, ao lado dos escritos ditos “clássicos”.
Assim, garantir esse acesso é garantir que todos possam gozar plenamente do seu direito à literatura, ao ficcional e à fabulação. Tal condição é necessária para formar cidadãos críticos, sensíveis e conscientes de sua própria identidade.
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