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Terça-feira, 02 de Junho de 2026
O TRISTE FIM DE VALERIANA OU ASCENSÃO E QUEDA DE GILÓCEANO

Hermano Leitão

O TRISTE FIM DE VALERIANA OU ASCENSÃO E QUEDA DE GILÓCEANO

QUANTO MAIOR A ALTURA, MAIOR A QUEDA

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A virgem Valeriana dedicou sua existência frugal a suportar homens na conquista de ambicioso mundo particular e na postura de cara de mistério. De extravagância, tinha apenas o gosto por coleção de bonecas cabeçudas e perucas caras e de uso duvidoso. Ressentida pelo abandono e traição do primeiro apaniguado peruqueiro, jurou aos pés de Santo Antonio e de suas bonecas cabeçudas que se aparecesse outro candidato a ser abonado, triunfaria de forma estelar e retumbante, porque se prepararia com zelo e guardaria todos os segredos do dito cujo como forma de se prevenir de nova ingratidão perpétua. Eis que a oportunidade se lhe apresentou em galope de uma pérola bruta empoeirada na lida de terras e pedras, Gilóceano, que, a beira de um pequeno lago, pediu para ser ungido e investido de autoridade pelas mãos habilidosas dela. Diante do desejo do moço de dominar as terras prometidas, Valeriana jurou-lhe triunfo, dedicação, trabalho, afinco e tudo o mais que o molhado moço lhe pedisse. Tudo deu certo no esforço da ainda casta protetora, sem que demandas carnais lhe fossem solicitadas e apesar de ela se esforçar nos treinos de alongamentos, aulas de pompoarismo, e no uso de vestidos largos. Como casal 20, fizeram sucesso e obtiveram reconhecimento por onde passavam a mão.

Gilóceano há tempos sonhava com o poder de conquistar seus desejos, ainda mais em companhia daquelas mulheres dispostas a dar tudo para ele dominar o mundo. A mainha lhe fazia comida, lavava roupa e limpava os quartos. A sobrinha Tiphânia dava-lhe uma mão amiga no seu gabinete e ajoelhava-se todos os dias para rezar no fim do dia. Já Galiléia emprestava sua figura de miss simpatia para desfilar como futura consorte. Enquanto isso, Valeriana labutava que nem louca para arrumar dinheiro, bens e patrimônio público e privado. Todas se esmeravam para leite de pedra.

Entrementes, quando tudo estava em concretização de mais perspectiva de conquistas, Gilóceano se encantou com Saul Pimenta, que invocou Pedro, Pio, Paulo, Wlad, Marcos e outros anjos parceiros, para embolsar mais riquezas. De quebra, Saul ofereceu-lhe banquetes, roupas novas e abraços na broderagem. Wlad garantiu pleno domínio e muitas pedras preciosas..

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Daí pra frente, aquelas mulheres foram substituídas por atrações masculinas e relações mais lucrativas. De fato, mainha e Tiphânia foram relegadas a outros membros do clã familiar. Já Galiléia aproveitou o tempo livre e conheceu um moço que não perdeu tempo em desfile social e partiu para o amor, que é tudo de bom. Mais que rapidamente, Galiléia concebeu um filho longe do ex futuro consorte. De forma trágica, a virgem Valeriana sofreu um ataque de um bando comandado primeiramente por Bruno e Leo, que pretendiam parte da riqueza guardada na butica da capela anunciada por Gilóceano. Por sorte, eles não molestaram a esforçada benemérita, mas esse evento sinalizou o começo do triste fim de Valeriana, que hoje amarga o isolamento e a humilhação de ser rejeitada pelo protegido, a quem jurou guardar segredos ora naufragados e sem cais.

Com tanta opulência, riqueza e conquistas ao lado dos varões articulados e poderosos, Gilóceano se sentiu acima de todos, acima do bem e do mal, pleno, cheio de parceiros, até que Pedro sofreu um golpe milionário, enfraqueceu e deixou de cuidar de sua retaguarda. Paulo foi flagrado na parceria e comando de contravenções e deixou de repassar seu lastro. Marcos, por sua vez, fugiu para não ser detido no país e largou a batata quente. Como evento inicial de declínio, Wlad rifou o prestígio dele a preço de arrogância e ganhou humilhação. Já Saul e Felipe compraram inseticida para matar a mosca azul que pousou na sua sopa. Sem se dar conta, o redemoinho no esgoto o carrega para a queda livre e ao abraço dos afogados na favela da maré.

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
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Hermano Leitão

Advogado, ator, escritor e ex-Procurador-Geral de Caieiras, autor de livros e peças teatrais de destaque nacional.

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