Nesta madrugada de segunda feira, mãe Naná, mãe de santo de Urucu, respondeu a consulta feita por um político influente de Prato sobre o destino de Gilóceano. Após jogar os búzios, Mãe Naná disse que as divindades indicaram que ele foi atingido pela espada de Xangô, orixá justiceiro que castiga os mentirosos e fraudadores.
O impetuoso senhor dos raios e trovões tem a justiça como lema, não tolera a mentira, a desonestidade e a corrupção. Xangô nunca suporta as trapaças pelo poder. Segundo mãe Naná, a quebra de Gilóceano não passará de junho do ano vindouro, e a causa falencis dele é o politicídio, um mal que acomete muitos que desviam dinheiro público para proveito próprio em detrimento das necessidades do povo.
Ele foi infectado não só pela esquistossomose da lagoa suja, mas, também, do veneno da ganância do vil metal, a fazer o diabo como sanguessuga ou parasitas de hospedeiros indefesos. Para Xangô, o destino dele é ficar solteiro a chupar o dedo. Em outro arremesso dos búzios, mãe Naná viu uma assembleia de sanguessugas em fila para o abismo em igual destino de Gilóceano, a começar por um ancião loiro em chamas e mais remendado que calça jeans de festa junina.
No terceiro arremesso dos búzios, mãe Naná viu a legião dos Asípas Michael, Jucael e Rauppuel intercederem junto aos Assembleares para salvação da lagosa devastada, mediante oferenda do caldo de mandioca triturada. Em consulta específica do influente político Aderson do Prato, ela respondeu que um homem de capa preta está ungido por uma legião de espíritos que traz para ele iluminação do que deve ser feito com Gilóceano e todos os Assembleares, porque ninguém escapará de sua espada justiceira.
Não haverá nem o ouro preto nem o ouro amarelo, ouros preciosos, para comprar consciências. Não poderão usá-los para fazer do preto, branco; do feio, belo; do errado, certo; do baixo, nobre; do velho, jovem; do covarde, valente, porque Xangô arrastou os sacerdotes e os servos para longe do seu altar.
Não haverá mais o escravo que ata e desata articulações clandestinas; não mais nomearão ladrões e conferir-lhes títulos, genuflexões e a aprovação na bancada dos vereadores. É isso que fazia a viúva anciã execrável, prostituta vil dos Assembleares acometidos de politicídio. Com as revelações dos 12 cavalheiros da pedreira maldita, Xangô desvendará a verdade das folhas verdes em abril.
Mãe Naná disse ainda que o Rei de Oió colocará todas as 10 cartas na mesa branca e designará Akinukú chefe dos rituais fúnebres da dupla que submergiu no abraço dos afogados. Para finalizar a consulta, o influente político do Prato quis saber quem sucederá Ìyá-kèré Gilóceano. Mãe Naná pediu de antemão uma contribuição pro Lágùnnòn, porque a demanda era forte e o balogum é necessária para na provisão do terreiro. Paga a demanda, mãe Naná arremessou os búzios e revelou que será escolhida uma loira gelada, refrecante.
E assim o político influente foi na Câmara e resumiu para seus pares o que disseram os búzios: um dia apareceu um grande animal que devorava a todos, homens, mulheres e crianças. O povo, revoltado com os crimes, resolveu enfrentar o animal monstruoso. Mas o ser monstruoso rugia e toda a terra tremia. Então, para auxiliá-lo, surgiu a Loira, que não quis soldados para vencer o animal. Ela lançou seu plano e derrubou o animal matando-o depois num só golpe com seu oxé.
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