Aprendi ao longo dos anos que a escola é um espaço de formação crítica, de desenvolvimento coletivo, portanto não tem como presenciar tudo que estou vendo, sentindo e me calar. Já romantizei a educação pública? Ah, já, com certeza já! Todo estudante de licenciatura saí da faculdade com aquela ilusão de que vai mudar o mundo, certamente eu já disse isso em algum outro texto com esse mesmo contexto. Acontece que quando se está dentro do sistema e de um jeito ou de outro acaba vendido, se rendendo a ele, aí é que você percebe a podridão em que se enfiou.
Na prática, o neoliberalismo quer que seu filho seja um apertador de botão, a maior ambição dele será almejar um curso técnico para ser operário em alguma rede logística. Me entenda, todo trabalho é trabalho e não estou discutindo isso. A nossa briga, indignação é que para o governo conseguir transformar o pensamento dos alunos e até de alguns colegas da área, ele utiliza de um sistema mercantil naturalizando o produtivismo, romantizando a meritocracia, com aulas socioemocionais voltadas para autogestão das emoções e os famosos projetos de vida. A conta é simples: As escolas são tratadas como empresas, os estudantes, familiares como clientes, consumidores e os professores como prestadores de serviço. Parece exagero? É aquele ditado, só geme quem sente a dor.
Adoecer não deveria ser rotina de trabalho. Mas é, tem sido. Plataformas em excesso, metas abusivas, pressão diária e falta de estrutura têm nos levado ao limite. Seja aqui em São Paulo ou lá no Paraná, o desgaste físico e mental é o mesmo. Um governo que adota políticas de ensino desumanas. É isso que o neoliberalismo é, um projeto educacional perverso, alimentado por quem deveria nos valorizar.
São mais de 20 plataformas digitais obrigatórias. Nem vou entrar no mérito das superlotações das salas de aulas.Ficar doente, não pode. Seus atestados serão aceitos, mas você sofrerá descontos mesmo assim. Ansiedade, depressão, burnout, está bom pra você? Antes meu Burnout fosse como o do Renato da Tomorrow, em Vale Tudo.
E o ciclo sem fim, nos guiará...🎵 só quem sem a emoção do Rei Leão
É como a inteligentíssima Dr Giuliana Mordente diz, um joga a culpa da batata quente educacional para o outro, a família acusa os prôs de não educarem suas crianças; nós culpamos os responsáveis por serem ausentes, negligentes e também responsabilizamos os estudantes pela falta de interesse. Os alunos, por sua vez, culpam a gestão escolar, que culpam os professores, que culpam o governo e está feita a novela mexicana- que por seu péssimo roteiro- não tem sua trama resolvida e ano após ano passa a batata à frente.
De verdade, era mais divertido quando batata quente era apenas uma brincadeira da infância.
...Queimou!