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Sabado, 18 de Abril de 2026
QUEM É O VICE?

Nego Dan

QUEM É O VICE?

Com todo esse processo envolvendo a figura do ex-presidente Bolsonaro, Ricardo Nunes surge como um nome capaz de ocupar uma lacuna

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Na última segunda-feira (2), iniciou-se o tão aguardado julgamento de Bolsonaro e de outros sete réus envolvidos na possível trama golpista — um julgamento longo e inédito desde a redemocratização do país. Isso porque, desde 1988, pela primeira vez um ex-presidente está sendo julgado por tentativa de golpe ao Estado Democrático de Direito.

Sabemos que dificilmente Bolsonaro sairá ileso desse processo. Basta observar os ministros do STF que compõem a Primeira Turma, responsável por julgá-lo. Com Bolsonaro possivelmente fora do jogo, muita coisa pode mudar no cenário político brasileiro para as eleições de 2026. Ele é, sem dúvida, ao lado do presidente Lula, uma das figuras de maior destaque na política nacional, e sua ausência criaria uma lacuna capaz de movimentar muitas peças em qualquer disputa eleitoral.

Dentro desse cenário, surge um personagem que, de coadjuvante, pode se tornar protagonista: Ricardo Nunes. Atual prefeito da cidade de São Paulo, Nunes era um discreto vice-prefeito de Bruno Covas até 2021, quando assumiu a prefeitura após o falecimento de Covas, vítima de um câncer no sistema digestivo.

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Ao se candidatar à reeleição nas eleições municipais de 2024, seu pragmatismo foi tão grande que acabou gerando espaço para a ascensão de Pablo Marçal, que causou grande surpresa no primeiro turno, tirando votos de Nunes e também de Guilherme Boulos. No fim, Nunes e Boulos disputaram o segundo turno, com vitória de Ricardo Nunes por 59,35% dos votos.

Sabemos que Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo, desponta como favorito para ocupar o espaço deixado por Bolsonaro em uma possível disputa presidencial em 2026. Com isso, o cargo de governador ficaria vago — abrindo caminho para o protagonismo de Ricardo Nunes, caso ele decida e consiga vencer a eleição para o governo do estado. Nesse cenário hipotético, seu vice na prefeitura, o Coronel Mello Araújo, assumiria a maior cidade do Brasil — agora dirigida por um representante da ala mais radical do bolsonarismo.

Quero, agora, trazer uma reflexão para você, caro eleitor. Muitas vezes, ao sair de casa para votar em um candidato ao poder executivo — seja para prefeitura, governo do estado ou presidência —, o nome do vice acaba passando batido. Mas isso não significa que ele seja irrelevante. Vamos relembrar alguns momentos da nossa história:

  • Em 1961, com a renúncia de Jânio Quadros, seu vice, João Goulart, assumiu a presidência, causando a ira dos militares, que o acusavam de comunista. Isso culminou no golpe militar de 1964, instaurando um regime que durou mais de 20 anos, sem eleições diretas no país.

  • Em 1985, com a morte de Tancredo Neves antes da posse, seu vice, José Sarney, assumiu a presidência e conduziu o processo de redemocratização até as primeiras eleições diretas.

  • Em 1992, o impeachment de Fernando Collor levou seu vice, Itamar Franco, à presidência. Ele foi o responsável pela implementação do Plano Real, que estabilizou a economia e controlou a inflação.

  • Em 2016, o impeachment de Dilma Rousseff levou Michel Temer ao poder. Em dois anos de governo, ele aprovou o teto de gastos, a reforma trabalhista e indicou ao STF o ministro Alexandre de Moraes — hoje o principal antagonista político de Bolsonaro.

Muitas vezes, o eleitor não dá a devida importância ao vice de seu candidato. No entanto, a história mostra que esses coadjuvantes podem assumir papéis de protagonismo capazes de mudar os rumos do país.

Ricardo Nunes pode passar de um vice-prefeito pragmático a governador de um estado que, por si só, tem um PIB maior que o da Argentina — e ainda deixar, no comando da cidade de São Paulo, um radical bolsonarista.

Dito isso, deixo duas perguntas para você refletir:

O vice tem tanta importância quanto o candidato principal?
E será que Ricardo Nunes está torcendo pela prisão de Bolsonaro?

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
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Nego Dan

Publicado por:

Nego Dan

Barbeiro, cristão afrodescendente, formado em educação física e professor de boxe

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