Não é novidade para ninguém que Donald Trump se coloca na posição de “príncipe da paz”, o líder mundial capaz de mediar e encerrar conflitos. Em sua campanha para a presidência dos EUA, ele prometeu acabar com a guerra entre Rússia e Ucrânia com um simples telefonema. Acusou o governo Biden de ter perdido o controle das rédeas, o que teria desencadeado conflitos armados pelo mundo. Sabemos que acabar com uma guerra com apenas um telefonema é uma narrativa política típica de época eleitoral. No entanto, Trump de fato conseguiu conversar, ainda que separadamente, com líderes da Rússia e da Ucrânia numa tentativa de mediação e de um possível acordo de paz. A guerra continua, mas segundo Trump, as negociações ainda estão abertas, e ele afirma que é capaz de resolver esse conflito até o fim de seu mandato.
Nesta semana (08/10), o presidente Trump anunciou a aprovação do “primeiro estágio do acordo de paz entre Israel e o Hamas” para Gaza, o que pode levar ao fim do conflito na região. Isso reforça ainda mais seu discurso de ser o grande líder que trará paz ao mundo. Um fato intrigante que está diante dos nossos olhos é que grande parte dos movimentos progressistas, que aparentemente estão engajados em favor do fim do sofrimento do povo palestino, simplesmente estão em silêncio. A única e óbvia explicação para isso é que Donald Trump segue uma cartilha ideológica totalmente oposta à deles. Portanto, não há motivos para comemorar quando um líder antagônico às suas ideias consegue um acordo que pode pôr fim ao sofrimento de um povo. Chego à conclusão de que não se trata de filantropia, mas de ideologia.
Forças militares dos EUA têm realizado ofensivas significativas no Caribe e na costa venezuelana, sob o argumento de que estão em guerra contra o narcotráfico na região. Trump já declarou publicamente que o líder desse esquema de narcotráfico é o presidente do regime ditatorial da Venezuela, Nicolás Maduro. Portanto, se os EUA estão em guerra contra o narcotráfico e, para eles, o líder de tudo isso é Maduro, chegamos à conclusão de que os EUA estão em guerra contra Maduro. Vale lembrar que os EUA estão oferecendo US$ 50 milhões de recompensa pela captura do ditador venezuelano.
Paralelamente a isso, nesta semana (10/10), a principal opositora de Maduro na Venezuela, María Corina Machado, recebeu o Prêmio Nobel da Paz — prêmio que Donald Trump já afirmou ser digno de receber. Corina fez questão de ligar para Trump e dizer que ele merecia o prêmio. Trump, nada modesto, respondeu que não pediu para ela lhe dar o prêmio, embora ache que ela poderia ter feito isso.
Embora Corina tenha seus méritos para receber esse prêmio por sua luta por resoluções democráticas na Venezuela, é curioso que, em meio às mediações de Trump nos conflitos armados, ela receba esse reconhecimento, dedique a ele, e chame atenção para tudo o que está acontecendo dentro da Venezuela. Nada disso parece estar acontecendo por acaso.
Portanto, chego à conclusão: Donald Trump vai fazer de tudo para pegar Nicolás Maduro!
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