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Sábado, 08 de Agosto 2026
Abebe Bekila venceu… mais uma vez!
Jorge Henrique Ramos

Abebe Bekila venceu… mais uma vez!

A força por trás do nome do rapper BK que parou o cenário do rap nacional com o seu mais novo álbum DLRE

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O quanto seu nome influencia na sua vida?

O cartão de visitas para quem acabou de nos conhecer e a primeira característica – antes mesmo de sairmos da barriga de nossa mãe – é o nosso nome, que dita muitas coisas em nossa trajetória. O meu, por exemplo, é o mesmo do meu pai: Jorge. Sinto, de verdade, que é um nome que molda meu caráter e me deixa forte. Até me sinto, às vezes, da Capadócia.

Coincidentemente, Jorge também é o nome do ídolo dos meus pais: Jorge Ben Jor. Um ícone da música brasileira, eleito em 2008 o 5º maior artista do país pela revista Rolling Stone Brasil – dispensa mais apresentações. Foi inevitável eu não tê-lo em minha prateleira de referências para a vida, mas vale lembrar que Jorge Ben se consolidou no fim da década de 1960, quase 40 anos antes de eu vir ao mundo.

Dito isso, eu sabia quem era e levo o nome do “melhor da geração” dos meus pais. Mas… e da minha? Quem seria o melhor da minha geração? É aqui que, mais uma vez, vamos entender a influência do nome que carregamos.

Nome de vencedor 🏆

Abebe Bikila Costa Santos, conhecido pelo nome artístico BK, nasceu na Zona Oeste do Rio de Janeiro, no bairro da Cidade de Deus, em março de 1989. No último dia 28 de janeiro, o rapper consolidou seu nome na história do rap nacional com o lançamento do seu mais novo álbum Diamante, Lágrimas e Rostos para Esquecer(DLRE), somando 35 milhões de plays em apenas uma semana nas pistas.

Antes da música, BK já respirava arte como produtor de vídeos e acadêmico de cinema. Em 2016, com o lançamento do seu primeiro álbum – dos cinco que compõem sua discografia –, Castelo e Ruínas, sua carreira deu um salto. Suas músicas, que abordavam amores antigos, desigualdade social e o combate ao racismo, renderam a Castelo e Ruínas o prêmio de melhor álbum de rap nacional naquele ano, concedido pela Red Bull e pela Genius Brasil. O sucesso continuou com os lançamentos de Gigantes (2018), O Líder em Movimento (2020) e, o premiado em Cannes, ICARUS (2022). 

Como não dizer que tudo isso não representa o puro, forte e excêntrico talento? E isso reforça que há muito a ver com o nome de BK. Escolhido por sua mãe, Ana Gomes, o nome faz referência ao maratonista etíope Abebe Bikila, o primeiro homem a vencer duas maratonas olímpicas – uma delas em sua estreia e correndo descalço –, considerado por especialistas como o maior maratonista de todos os tempos.

Essa ligação vencedora reforça um recurso de linguagem pouco conhecido, mas fundamental para entender a reta final desta coluna: o aptônimo. Aptônimos são nomes próprios – muitas vezes incomuns – que possuem uma relação muito alinhada com as características das pessoas que os carregam, a ponto de serem consideradas, até mesmo, predestinadas.

O divulgador científico e criador do canal Ciência Todo Dia no YouTube, Pedro Emílio Niebrehr Loss, explica que esses nomes soam como trocadilhos e cita exemplos como o velocista jamaicano Usain Bolt, cujo nome significa “raio”, ou até mesmo o presidente da Nintendo, Doug Bowser, que compartilha o nome com o vilão Bowser, do universo dos jogos de Mario. E não, caro leitor, não se trata de uma homenagem da empresa: Doug é presidente da Nintendo desde 2019, enquanto o vilão fez sua primeira aparição em 1985. Bizarro, não?

Agora que você já sabe um pouco sobre os aptônimos, retornamos a BK, que, falando sem abreviação, fica Abebe Bikila – quase um trocadilho, lembra? E o melhor: o significado de seu nome é “homem abençoado”, algo que sua mãe, Dona Ana, já sabia.

Hoje, após mais um álbum magnífico, a mãe de Abebe segue presenciando a continuação do sonho do seu menino. BK tem muita estrada para correr – descalço ou não –, muita canetada para emocionar e gerações para inspirar. Não é qualquer um que, em um só disco, une ícones como Djavan, Fat Family, Evinha e Pretinho da Serrinha: os melhores de suas gerações com o melhor desta geração. É único, diferente e, quem sabe, predestinado.

“Nome de vencedor, mamãe já sabia o que eu seria”.
Continuação de um sonho – BK.

Jorge Henrique Ramos

Publicado por:

Jorge Henrique Ramos

Jornalista, escritor e palestrante, foi conselheiro estadual da juventude e é autor do livro "Por trás dos muros da insanidade", tem mais de 10 anos de experiência na gestão pública.

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