Você conhece aquela sensação indescritivelmente boa de acordar sabendo que finalmente chegou o dia daquele jogaço tão esperado? Se sim, provavelmente você é fã de bom futebol e sabia que a noite de quarta-feira te reservava algo especial. Se não, pode ter sido um dia complicado para você, que só queria assistir à TV em paz ou ter um dia normal.
Programas esportivos, redes sociais, crianças voltando da escola e adultos no caminho para o trabalho. Todos os olhares dos fãs de futebol estavam voltados para o clássico entre Corinthians e Santos pela 9ª rodada do Campeonato Paulista. Seria um jogo de mata-mata? Uma partida decisiva por um título? Não. Era o primeiro clássico de Neymar após seu retorno bombástico ao Santos.
O roteiro parecia pronto: o Corinthians, já classificado para as quartas de final, buscava sua primeira vitória do ano em clássicos paulistas, depois de perder para o São Paulo e empatar com o Palmeiras. Do outro lado, o Santos, com apenas 9 pontos e lutando pela classificação, depositava suas esperanças no futebol do maior ídolo do clube na última década. Quem seria o verdadeiro protagonista dessa história? Muita gente quis ver de perto.
Efeito Neymar?
A Neo Química Arena bateu recorde de público na última quarta-feira (12), com 48.169 torcedores. O recorde anterior da “Casa do Povo” foi na partida contra o São Paulo, quando 46.517 corintianos assistiram à vitória por 2 a 1 na Copa do Brasil de 2022. Se perguntassem recentemente a qualquer um dos mais de 30 milhões de torcedores corintianos quando esse recorde seria superado, duvido que, por mais louco que fosse do bando, alguém respondesse com convicção: “No primeiro jogo contra o Santos após a volta do Neymar.”
E, de certa forma, era previsível. Nos últimos três dias, uma guerra digital tomou conta da internet com dois temas interligados: a falha na fiscalização contra cambistas que vendiam ingressos por mais de R$ 1.000 em setores populares da arena, e os torcedores infiltrados que pagaram qualquer preço para ver o retorno de Neymar em um clássico paulista.
O resultado disso pode ser resumido por uma frase que aprendi com um amigo e que gosto muito: “Enquanto uns choram, outros vendem lenços.” E foi exatamente assim. Fiéis torcedores ficaram sem ingressos pelo rápido esgotamento na plataforma de associados, enquanto cambistas faturaram alto vendendo para os mais endinheirados.
E o óbvio aconteceu: o “Menino da Vila” deu um show. Não, eu não tô maluco ou metendo o louco em você. Se liga qual é a fita.
O outro Menino da Vila
Revelado pelo Santos em 2017, Yuri Alberto saiu do clube pelas portas dos fundos, após um desacordo na renovação de contrato em 2019. O atacante revelou, em entrevistas, que não se sentiu valorizado e que o clube não acreditava no seu potencial.
O tempo passou. Yuri seguiu seu caminho e, em 2022, chegou ao Corinthians. Entre altos e baixos, ele se firmou no ataque corintiano, se consolidou como o maior artilheiro do Brasil em 2024, com 31 gols, e conquistou o coração da Fiel.
No clássico contra o Santos, após cumprir suspensão contra o Palmeiras e sob a sombra da expectativa em torno de Neymar, o camisa 9 mudou o roteiro e roubou a cena, marcando os dois gols na vitória do Corinthians por 2 a 1. Um deles, o centésimo de sua carreira. De dispensado pelo clube da baixada para protagonista contra o mesmo time. Yuri deu o recado.
Não sei se ele considerou isso uma vingança contra o Santos, mas se fosse para imaginar assim, poderíamos facilmente dizer que esse filme teve a direção de Quentin Tarantino, digno de Django Livre (2012). Enquanto todos os olhos estavam voltados para Neymar como Jamie Foxx, no fim das contas foi Yuri Alberto, como Christoph Waltz, quem roubou todas as cenas. Sem mais.
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