Não só tentei me acostumar com o peso do tempo passando e o fato de que eu estou ficando cada dia mais adulta (apesar de ainda me sentir com 16 anos, principalmente agora, escrevendo uma crônica – mas não pro meu blog Amaradiz/Amaralis – e sim pra um jornal de verdade), mas porque andei pensando sobre algumas coisas e a ficha terminou de cair no dia primeiro de janeiro.
Acho que a gente fala pouco sobre como a pandemia foi um divisor de águas na nossa história enquanto sociedade. Sobre como uma pequena parte da gente morreu e ao mesmo tempo, novos modos de viver surgiram. Sobre como descobrimos que a nossa presença física – às vezes – não é tão importante assim e, com a internet, podemos estar em contato com qualquer lugar do mundo. Com qualquer pessoa.
E as redes sociais proporcionaram esse movimento que, a princípio, nos trazia uma sensação de prazer e diversão, e acabaram ganhando um espaço estranho nos últimos tempos.
“Como você não está na rede social tal?”, “Agora todo mundo precisa produzir conteúdo!” e “Quando eu crescer eu quero ser influencer” são frases que se fossem ditas há dez anos atrás pareceriam meio fora de tom e agora é quase comum ouvir. Para a Amara de 16 anos parecem um pouco bizarras.
O negócio é que surfar nas ondas da internet deixou de ser diversão e começou a virar uma necessidade – e, o que deixa tudo ainda mais estranho, é que não é assim que falamos sobre outros vícios?
A ficha que caiu dia primeiro foi inserida na minha máquina enquanto eu ouvia o podcast “De Saída: A vida fora da internet” – que foi cheio de críticas e visões e múltiplas discussões e me deixa feliz saber que estamos discutindo sobre a maior parte das coisas que foi dita ali (porque, se tá todo mundo falando sobre, é porque reverberou, né?). Mas o que mais me marcou, talvez, foi a ideia de que a internet é diferente da rede social. Que não vamos mais conseguir viver fora da internet – afinal de contas, todo mundo usa o aplicativo do banco para pagar conta, usa e-mail pra trabalhar, enfim, como eu disse, depois da pandemia é quase impossível se imaginar fora da internet. Mas e fora da rede social? Você consegue se imaginar?
Depois disso rolar o feed parou de fazer sentido pra mim. Eu via aquelas pessoas, sempre feliz, sempre magras, sempre com a roupa da moda e pensava: por quê? Por que eu tô fazendo isso? Convivi durante muitos anos com o sentimento de não ser boa o suficiente, de não ser bonita o suficiente, ou bem-sucedida o suficiente, e percebi que se eu não entrasse na rede social... Aquele sentimento talvez nem existiria.
É aquela máxima: “Fora da internet esse problema ainda existe?”
E alguns dos meus problemas não existiam.
Eu queria terminar esse texto falando sobre como eu me curei de ser cronicamente online, como é maravilhosa a vida fora da internet (não é), mas eu queria dizer que a minha relação com o tempo mudou depois de parar de ficar horas arrastando pra cima (eu estou mais calma). Que a minha relação comigo mesma mudou (eu estou mais gentil). E que é importante tentar, ou pelo menos questionar, todas essas coisas que são impostas pra gente o tempo todo.
Acho que essas perguntas nos fazem descobrir coisas novas, como por exemplo, essa nova maneira de me expressar na internet – afinal de contas, eu estou nesse exato momento sentada olhando para uma tela escrevendo um texto que eu não sei quem vai ler, enquanto você está aí, do outro lado, sentado olhando pra uma tela lendo um texto meu.
Vamos encontrar novas maneiras de socializar?
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