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Quarta-feira, 13 de Maio de 2026
Bebês Reborns: Quando a Fantasia Passa dos Limites

Alexandre Garra

Bebês Reborns: Quando a Fantasia Passa dos Limites

Por que tratar bonecos como filhos reflete um problema maior na nossa sociedade

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Por que os bebês reborns são um problema na nossa sociedade.
Vivemos numa época em que o imaginário parece tomar conta de tudo. A realidade tá cada vez mais misturada com fantasias, redes sociais e ideias que, pra muitos, distorcem o que é de fato real. Um exemplo claro disso é o fenômeno das mulheres que tratam bebês reborns — bonecos hiper-realistas que imitam bebês humanos — como se fossem filhos de verdade. Elas cuidam, trocam fralda, dão mamadeira, criam rotinas inteiras, como se esses objetos fossem vivos. Desculpe, mas isso não é só estranho: é uma prática que levanta sérias questões sobre fugir da realidade e alimentar ilusões que não fazem bem pra ninguém.
Não dá pra romantizar isso. Essas mulheres, por mais que tenham suas razões, estão escolhendo viver numa fantasia que não tem base na vida real. Algumas dizem que é pra lidar com a perda de um filho ou porque não puderam ser mães. Outras falam que é pra combater solidão ou ansiedade. Tudo bem, cada um sente o que sente, mas transformar um boneco num substituto de um ser humano é ir longe demais. É como se, em vez de enfrentar a dor ou buscar soluções reais — tipo terapia, apoio de amigos ou até adoção —, elas preferissem se afundar num faz de conta que não resolve nada.

E olha, essa prática só ganha força porque a nossa sociedade já tá mergulhada numa “realidade expandida” onde o imaginário vira muleta. As redes sociais pioram tudo: essas mulheres postam vídeos das rotinas com os reborns, como se fosse normal, e recebem curtidas que só reforçam essa ilusão. Claro, também tem quem critique, e com razão. Porque, vamos ser honestos, tratar um objeto como filho não é saudável. É uma fuga da realidade, ponto. E não adianta dizer que “o afeto é real”. Sentir carinho por um boneco não substitui relações humanas de verdade, e insistir nisso só afasta essas mulheres de conexões genuínas.

Outra coisa que incomoda é como isso bagunça a ideia de maternidade. Ser mãe é algo complexo, que envolve responsabilidade, cuidado com outro ser vivo, sacrifícios reais. Comparar isso com “maternar” um boneco é, no mínimo, desrespeitoso com quem vive a maternidade de verdade. E não é só isso: numa sociedade que já pressiona tanto as mulheres pra serem mães, essas práticas acabam criando uma imagem distorcida, como se qualquer coisa pudesse substituir o papel materno. Isso não ajuda ninguém — nem as mulheres que querem ser mães, nem as que escolhem não ser.

No fim, os bebês reborns são um sintoma de uma sociedade que perdeu o rumo, que confunde o real com o imaginário e acha que qualquer coisa vale se “faz sentir bem”. Só que a vida não funciona assim. Ilusões não curam solidão, não resolvem luto, não preenchem vazios. Essas mulheres precisam de apoio de verdade — psicológico, social, humano —, não de bonecos que imitam bebês. Criticar isso não é falta de empatia; é querer que as pessoas encarem a realidade e encontrem caminhos melhores. Porque, no fundo, viver de faz de conta pode até confortar por um tempo, mas não leva a lugar nenhum.

Essa coluna foi escrita em coautoria pela minha esposa: Evelyn Estefani Oliveira

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
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Alexandre Garra

Desenvolvedor de Sistemas apaixonado por tecnologia e inovação. Crio soluções com IA e automações para otimizar processos e transformar ideias em realidade. Falo sobre política e tecnologia, explorando como elas moldam o futuro.

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