Caro leitor,
Como vocês estão?
Hoje, estas palavras não são apenas para as mães amigas...
Todos esses dias foram imbuídos do clima angelical do Dia das Mães.
As escolas com suas lindas apresentações e presentes. Sobre essa boa intenção, tenho milhões de ressalvas... mas isso fica para outra coluna, talvez.
O comércio em frenesi: flores, perfumes, chocolates, roupas e afins. Que a economia tenha circulado, principalmente a local.
Restaurantes com filas para o afetuoso "Dia das Mães".
Para aqueles que usufruíram, com amor genuíno, de todas essas situações, este texto não é para você.
Aqui ficam aqueles que não receberam colo, afeto e cuidado de mãe.
Quero, de forma não pretensiosa, que estas palavras possam chegar até você e confortá-lo em alguma camada da sua história.
Temos uma ilusão coletiva sobre o bem, o bom e o belo no que tange à maternidade, mais especificamente ao vínculo entre mãe e filho.
Infelizmente, existem muitos filhos que não beberam dessa fonte e carregam marcas profundas.
Mas não há um movimento, uma luz voltada para a frase: "eu tenho traumas maternos". E é por isso que, para a grande maioria, não existe a problematização do quanto essa linda homenagem às mães pode causar dor em quem não viveu esse afeto.
Para você que acha que isso é uma grande bobagem, preciso afirmar algo de forma categórica: infelizmente, amar os filhos não é instintivo.
Há aquelas que não souberam ou não puderam acolher.
E, como consequência, há inúmeros adultos que sofrem em silêncio pela ausência desse cuidado emocional.
Então, deparar-se com uma infinidade de declarações, fotos posadas, vídeos e afins pode gerar inúmeras emoções desagradáveis, mas absolutamente válidas.
Dito isso, sinta um abraço em forma de palavras.
Você não está sozinho. E sinto muito por, ano após ano, ter que se deparar com essa data comercial e sentir-se mal, ou até culpado, por não ter vivido essa magia do Dia das Mães.
Sinto muito.
Não negue essa dor. Não esconda de si mesmo tudo o que essa ausência materna pode estar acarretando em sua vida adulta.
Procure ajuda.
Não tenha vergonha de falar. O que você passou e sentiu precisa ser ressignificado.
Que você possa quebrar o ciclo e seguir com suas feridas cicatrizadas.
Mais uma vez, fica aqui o meu abraço.
Com carinho,
Débora Preto
Mãe, educadora e umas coisinhas a mais...
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