A luta de um treinador é não ser refém do próprio resultado, pois sabe o quão incontrolável e perverso ele é.
Mais vale uma derrota analisada a partir do trabalho do que uma vitória analisada apenas pelo placar, pois, a longo prazo, é melhor ser medido pelo que se pode controlar do que por aquilo que está fora do alcance
No futebol, temos o hábito de julgar um treinador pelo critério mais variável do jogo: o resultado. Ouvimos quem ganha, toleramos quem empata e condenamos quem perde
Nesse processo, vamos transformando o “1x0” em caráter, o “1x1” em apatia e o “0x1” em fracasso. Um jogo é convertido em gente, e na maioria das vezes essa “gente” são os treinadores
que relatam em suas entrevistas fatos importantes de quem já está há muito tempo nesse caldeirão, onde você só presta até o próximo jogo. Não põem validade em seu trabalho, mas sim em você…
Por que só quando é campeão merece o respeito como profissional e ser humano? Por que só com o troféu na mão merece ser ouvido? Por que nos sentimos tão à vontade em ultrapassar esses limites?
Na busca de não se perder de quem se é, isolar-se de todo barulho externo e encontrar-se em si mesmo passa a ser uma batalha diária. Cansativa e desgastante, deixa marcas profundas
A vitória se torna uma pequena oportunidade de respirar, enquanto a sombra do que significa perder nesse contexto se aproxima!!!
Esse é um dos pontos mais importantes do nosso futebol
Não tem como falar sobre um jogador ou sobre um time sem considerar o impacto do externo nos dias de hoje
Esses extremos que a gente presencia, por exemplo, de um jogador sair de um clube para outro e mudar drasticamente, ou de um elenco ser avaliado como potencial candidato a brigar pelo rebaixamento com um treinador e, ao chegar outro, a perspectiva muda para busca por vaga na Libertadores, são um reflexo disso.
A distância entre esses jogadores e elencos, às vezes, é bem menor do que se parece, mas o contexto que vivem pode causar uma distorção enorme.
Assim como cada clube tem seu título a disputar (mesmo que a maioria não seja contemplada com troféu), todo clube também tem seu rebaixamento a temer
Nesses diferentes níveis de pressão e expectativa, vemos jogadores de qualidade similar desempenhando de maneiras opostas. Pelo número de jogos, esse elevador é de um prédio com poucos andares, saindo rápido do topo para o chão.
Os momentos de “viver” no futebol são cada vez mais raros, enquanto a pressão por “sobreviver” só aumenta. Com a exposição que geramos, a consequência é o medo travar o desenvolvimento de jogadores e equipes.
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): internet
O texto acima expressa a visão de quem o escreveu, não necessariamente a de nosso portal.
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