A relação entre Irã e Estados Unidos nem sempre foi hostil — pelo contrário, já foi marcada por grande aproximação, sempre em benefício de uma elite bastante específica. Ao contrário do que muitos acreditam, o Irã não tem raízes árabes, e sim persas. Seu último rei persa foi um homem chamado Mohammad Reza Pahlavi. Ele assumiu o poder em 16 de setembro de 1941, quando seu pai foi deposto durante a Segunda Guerra Mundial, e permaneceu no trono até 11 de fevereiro de 1979, quando foi derrubado durante a Revolução Iraniana.
Como governante, Pahlavi deu início à chamada Revolução Branca — uma série de reformas econômicas, sociais e políticas com o objetivo declarado de transformar o Irã em uma potência global. A intenção era modernizar a nação, privatizar determinadas indústrias e conceder o direito de voto às mulheres. Vale lembrar que o Irã possuía a quarta maior reserva de petróleo do mundo, o que fazia acreditar que, se essas políticas fossem bem implementadas, o país poderia alcançar uma distribuição de renda mais justa e reduzir sua desigualdade social. Mas não foi isso que aconteceu.
Com a escalada dos conflitos da Segunda Guerra Mundial, o Irã teve que abandonar sua neutralidade e escolher um lado — o lado dos Estados Unidos. Os americanos passaram a controlar grande parte da produção de petróleo iraniana, e o país começou a se aproximar cada vez mais dos costumes ocidentais. A indústria de filmes de Hollywood dominava o entretenimento, e, se você observar fotos do Irã na década de 1970, verá mulheres de biquíni nas praias, frequentando escolas sem véu, usando calça jeans e com cabelos curtos.
Por outro lado, a desigualdade social só aumentava. A elite política atendia apenas aos interesses americanos e a uma pequena parcela privilegiada da população. O nome do rei se envolvia cada vez mais em escândalos de corrupção, ostentando luxo e poder enquanto grande parte da população vivia abaixo da linha da pobreza. Foi durante seu reinado que o Império Persa comemorou os 2.500 anos de existência — uma festa que historiadores descrevem como uma das mais luxuosas da história da humanidade.
Políticas controversas contribuíam para desgastar ainda mais a imagem do monarca, que proibiu o partido comunista e mandou prender milhares de opositores políticos. É nesse cenário que surge uma figura central para o futuro do Irã.
A pressão de grupos opositores crescia, e em 17 de janeiro de 1979, o rei Mohammad Reza Pahlavi deixou o país rumo aos Estados Unidos, supostamente para tratar um câncer — o que muitos consideram até hoje como uma fuga. É então que Ruhollah Khomeini, líder religioso e político, retorna ao Irã com a missão de tomar o poder da monarquia e isolar o país dos costumes ocidentais.
Khomeini foi, durante anos, o principal opositor de Pahlavi. Após perseguições, viveu exilado em países como Turquia, Iraque e França, até retornar para liderar a Revolução Iraniana — também chamada Revolução Islâmica. Após uma série de conflitos entre civis cansados da desigualdade, grupos revolucionários e autoridades, Khomeini assumiu o poder em 1981. O Irã se tornou, então, uma república teocrática, com leis baseadas no Alcorão. A constituição foi abolida, e a vida no país mudou radicalmente.
Filmes ocidentais foram proibidos; músicas só podiam ser religiosas; a islamização passou a ser imposta desde a educação infantil até o ensino superior. Meninas a partir de 13 anos podiam se casar — e, com permissão da família, até mais cedo. O hijab tornou-se obrigatório, independentemente de nacionalidade ou religião.
Khomeini permaneceu no poder até sua morte, em 1989. Seu sucessor, Ali Khamenei, continua no comando até os dias atuais, exercendo um governo ditatorial com pulso firme.
O que precisamos entender é que o Irã é uma nação traumatizada — e esse trauma tem nome: cultura ocidental, representada pelos Estados Unidos. Todos que carregam um trauma, como por exemplo um acidente de carro causado pelo álcool, tendem a desenvolver mecanismos de defesa. Essa pessoa pode evitar entrar em carros dirigidos por quem bebeu ou até evitar a estrada onde sofreu o acidente. Da mesma forma, um país traumatizado cria mecanismos para proteger seus próprios interesses.
O Irã, ao ceder uma vez aos interesses dos EUA, quase perdeu o controle de sua economia petrolífera, seus costumes e suas tradições. Não estou aqui fazendo juízo de valor sobre quem está certo ou errado. Porém, é necessário refletir sobre a geopolítica americana. Muitas vezes, os Estados Unidos acreditam que seus interesses são o melhor caminho para quase todos os outros países. Mas, quando uma nação pensa diferente, os EUA oferecem paz — mas uma paz que só virá após uma guerra.
E isso não tem a ver apenas com Donald Trump, mas com toda a história política dos Estados Unidos. Seja democrata ou republicano, os interesses americanos sempre estarão em primeiro plano, mesmo que isso custe vidas. Ao longo da história, os Estados Unidos se armaram para se tornar a maior potência bélica do mundo — não por acaso, mas para impor sua ordem.
Diante dessa tensão entre os países, ficamos pensativos quanto ao nosso futuro e ao de nossos filhos. Como nosso presidente irá se posicionar? Em quem depositamos a confiança para que a paz prevaleça?
Portanto, permita-me finalizar este artigo com um versículo bíblico:
Filipenses 4:7
"E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus."
Canalize sua fé naquilo que é mais sagrado para você, independentemente da sua religião. Mas jamais deposite sua fé em homens.
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