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Sexta-feira, 08 de Maio de 2026
Eu gosto das referências e de me vestir delas

Lua Souza

Eu gosto das referências e de me vestir delas

Eu faço parte da cultura da nostalgia!

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Eu não vou me prolongar nessa pauta falando da cultura de consumo e das transformações culturais, tecnológicas e sociais que moldam comportamentos e estilos de vida a cada nova geração, hoje eu só vim falar que assumo escancaradamente que faço parte da geração da nostalgia.

Karnal tem uma fala que diz que infelizmente estamos ficando sem símbolos, sem referências de honestidade, isso se tratando de política, mas estendendo um pouco o assunto e já emendando o gancho dos textos anteriores, aqui vai outro questionamento, se a memória também é algo ancestral que dá sustentação para a nossa identidade e uma vez que estamos ficando sem vínculos profundos...

O QUE SERÃO DAS REFERÊNCIAS, MINHA GENTE? (me deixa com minhas letras garrafais)

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E desculpa bater na mesma tecla, só que essa nova geração simplesmente não as tem. Eu fui uma criança dos anos 90 que até hoje trago referências de música, personalidades e criei minha própria personalidade a partir daí. Me lembrando do início dos anos 2000, a vida era tão mais legal sem o avanço da internet- eu disse legal e não prática). Então devo atribuir esse meu incomodo com esses jovens que não sabeeemmmm quem foi Senna, Mamonas ou Renato Russo, às mudanças ocorridas através das novas tecnologias? Alguém pode concordar comigo, por favor?

COMO ASSIM, MENINO? COMO VOCÊ NÃO SABE QUEM FALOU “CALE-SE, CALE-SE, CALE-SE SE NÃO VOCÊ ME DEIXA LOUCO”? – Eu indignada com algum aluno aleatório! Acho que ainda vou escrever um livro contando meus causos e indignações em sala de aula e de como não tem graça fazer uma piada porque nenhum aluno vai entender a referência.

“Em minha casa, tudo tem sentido, tudo me traz referências. Gosto de comprar coisas e arrumá-las em torno de mim. Assim, quando me perco, a casa me situa”.

Esses dias li um artigo falando da chamada “cultura da nostalgia” e sim ainda somos um elo entre as gerações. Somos da época que os gostos e preferências eram passados de pais para filhos, seja na música, filmes ou até em brinquedos. Também curtimos as bandas dos anos 70 ou 80, e séries antigas. Realmente somos tão diferentes dos nossos pais, mas mantendo essa ponte. E digo mais, o digital nunca vai substituir o físico: um disco, uma fita ou um livro.

 Não é uma competição, é só uma constatação de que apesar de estarmos imersos em um universo digital, ainda carregamos em nós um desejo por elementos que marcaram a vida dos que vieram antes. Estou preservando memórias?

Bem, meu filho de 13 anos, vai rir se eu disser: "Você disse pipoca quente na manteiga"?

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
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Lua Souza

Lua Souza, 34 anos, mãe e moradora de Franco da Rocha (SP). Poeta de nascença e professora de Língua Portuguesa, recentemente se descobriu cronista. Citação: "Eles passarão, eu passarinho"

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