Chega a ser triste que, em 2026, a cobrança ainda seja pelo mínimo: falar do jogo
O que deveria ser o básico, o padrão, é de fato raro no debate sobre o futebol brasileiro
Poucos tem a paciência e a capacidade para elaborar uma resposta maior do que três linhas ou um minuto. Sedentos apenas por vender, o futebol é mais explorado pelos números que rende do que pelo potencial que tem, todos querem sangue e likes.
Somos extremamente exigentes em relação a cobranças ao futebol que temos, mas e ao futebol que comunicamos? Se ligamos a tv para ver os “gols da rodada” recebemos gritaria, berros e pedidos insistentemente por boicote, cobrança e a AFIRMAÇÃO é sempre a mesma, “fulano ganha x por mês para fazer isso?”
Quem transmite o jogo é peça chave nesse processo de evolução. Vejo muitas reclamações sobre mudanças no nosso futebol (justas), mas e sobre nós? Estamos preparados para passar da página 2? Estamos prontos para falar só do jogo?
Jornalistas que viraram influencers, torcedores com microfone falando groselha na internet e televisão aberta, o debate apodreceu, e como nossa sociedade está igualmente doente, aplaudimos e queremos mais sangue.
Não dá para o futebol continuar sendo apenas um pretexto para despejar tudo que se acha saber sobre quem está em campo. Ir ao estádio somente para ficar no celular e xingar todo mundo, na maioria das vezes nem sabem quem jogou, como foi o jogo, ou até mesmo quanto foi a partida.
Todos falam de mudanças, mas é só a bola rolar para o ódio sair, o jogo piorou, a torcida apodreceu e quem deveria transmitir emoção, quer ódio, revolta e sangue.
Enquanto o debate for guiado por esses atalhos, não adianta termos as melhores obras, já que vão ser vistas de cabeça pra baixo.
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): internet
O texto acima expressa a visão de quem o escreveu, não necessariamente a de nosso portal.
Comentários: