O mountain bike mundial parou na Suíça neste fim de semana para mais uma etapa eletrizante da Copa do Mundo de XCO 2026, em Lenzerheide. Depois da chuva e da lama que marcaram a etapa anterior, em Saalfelden Leogang, na Áustria, os atletas encontraram um cenário completamente diferente: pista seca, rápida e extremamente exigente fisicamente — um verdadeiro teste de potência e resistência para o pelotão de elite.
## Os destaques da prova
Na Elite masculina, o francês conquistou seu segundo triunfo na carreira em etapas de Copa do Mundo de XCO e ainda assumiu a liderança da classificação geral, depois de já ter somado três segundos lugares na temporada. A corrida foi tensa até o fim: o terreno ficou escorregadio na última volta, e foi justamente em um momento de instabilidade dos adversários que ele decidiu atacar para selar a vitória.
Já na Elite feminina, o show foi da sueca Jenny Rissveds, atual campeã mundial. Ela assumiu a liderança ainda na primeira volta completa e nunca mais foi ameaçada, vencendo com mais de um minuto de vantagem. Com o resultado, amplia sua liderança no ranking geral da temporada, com 177 pontos de vantagem sobre a suíça Sina Frei.
Entre as curiosidades do fim de semana, a Specialized Factory Racing colocou cinco ciclistas entre os dez primeiros do XCO masculino, reforçando sua liderança disparada na classificação por equipes. Nas categorias Sub-23, a italiana Valentina Corvi voltou a dominar e já conquistou três vitórias em quatro etapas disputadas nesta temporada — um nível de consistência impressionante.
## O Brasil que faz história: Alex Malacarne em 14º
Mas é no resultado de Alex Malacarne que esta matéria quer parar para celebrar. O paranaense de Medianeira, hoje correndo pela Specialized Racing BR, cruzou a linha de chegada na **14ª posição da Elite masculina**, a 3min01s do vencedor — seu melhor resultado em uma Copa do Mundo desde que chegou à categoria máxima do mountain bike mundial.
Para quem acompanha a trajetória de Alex, esse 14º lugar carrega um peso enorme. Ele estreou na Elite em 2025, em Araxá, terminando em 11º — já um feito histórico para um atleta da região. Desde então, sua caminhada tem sido de evolução constante: títulos brasileiros de XCC e XCO, pódios internacionais e, agora, a confirmação de que é capaz de competir de igual para igual com os melhores do planeta também em solo europeu, disputando contra estruturas e orçamentos que pouco se parecem com a realidade do ciclismo brasileiro.
Há algo de especialmente bonito nessa entrega: Alex correu boa parte da carreira contornando "variáveis fora do seu controle" — recursos, estrutura, calendário —, e mesmo assim segue subindo de nível ano após ano. Um 14º lugar numa pista seca e dura como a de Lenzerheide, ao lado de nomes que crescem cercados de estrutura de ponta, é a prova de que processo, resiliência e fé no trabalho diário continuam sendo o motor mais confiável de qualquer carreira no esporte.
Ulan Galinski também representou o Brasil na prova, terminando em 52º. Entre as mulheres, Karen Olímpio foi a 41ª e Raiza Goulão a 48ª.
## O que vem a seguir
A Copa do Mundo de MTB segue agora para outras etapas decisivas da temporada, com a briga pelo título geral cada vez mais acirrada entre os favoritos europeus. Para o ciclismo brasileiro, no entanto, o que ficou de Lenzerheide é a sensação de que o país tem, em Alex Malacarne, um representante que carrega não só talento, mas a teimosia bonita de quem constrói resultado pouco a pouco — pedalada após pedalada, etapa após etapa.
Para quem pedala, seja na trilha do bairro ou sonhando com um pódio mundial, a lição de Lenzerheide vale para todos os níveis: evolução real não tem pressa, tem processo.
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