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Quarta-feira, 29 de Julho 2026
O QUE ESTÁ POR TRÁS DA LEI “ANTI-ORUAM”
Nego Dan

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA LEI “ANTI-ORUAM”

Entenda quais são as problemáticas do estado brasileiro que tentam esconder de você

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Recentemente a vereadora Amanda Vetorazzo (UNIÃO BRASIL) da cidade de São Paulo protocolou um projeto de lei que tem como objetivo proibir a prefeitura de São Paulo contratar artistas que façam apologia ao crime organizado e o uso de drogas, nas redes sociais a vereadora fez questão de deixar claro: “Quero proibir o Oruam de fazer shows em São Paulo! Chega de cantores de funk e rap fazendo apologia explícita ao crime organizado. Facções são INIMIGAS e devem ser tratadas como tal. Em São Paulo, não!”. Com isso a proposta ficou conhecida como "Projeto Anti-Oruam". A partir de então começou a guerra de narrativas nas redes sociais e em parte da imprensa.

Os influenciadores de esquerda com um discurso voltado para questões sociais acreditam que estão tentando o usando Oruam como uma espécie  de "boi de piranha" já que o MC é filho de Márcio do Santos Nepomuceno vulgo Marcinho VP, um dos maiores narcotraficantes do país, outra polêmica que cerca o MC é que ele tem eternizado tatuado no peito o rosto de Elias Maluco traficante acusado pela morte do jornalista Tim Lopes fato que repercutiu no País no início dos anos 2000, por ter essa imagem controvérsia acredita-se que o MC carioca  será usado para sufocar o funk, trap e até mesmo o rap que utiliza de suas letras para denunciar o Estado representados pelos políticos que não cumprem suas promessas principalmente com a periferia, a ala esquerdista acredita que o artista relata sua realidade, se ele vive nesse entorno então vai tentar expor o seu cotidiano onde o Estado não faz questão de chegar para dar uma vida decente aos cidadãos que vivem em situações vulneráveis.

Já a ala mais conservadora se agarra no próprio projeto de lei da vereadora de São Paulo que foi elaborado em volta da proteção de crianças e adolescentes acreditando que o conteúdo do tem o poder de influenciar os mais jovens, os conservadores garantem que esse Projeto de Lei tem uma especificidade em conteúdo de apologia ao crime organizado e ao uso de drogas que é algo bem discutível visto que outros gêneros como o próprio sertanejo faz questão de enfatizar o uso de bebidas alcoólicas, já que a esquerda usa o argumento de que esse Projeto de Lei é uma espécie de "Lei da Vadiagem 2.0" que de tempos em tempos a direita tenta combater a cultura propagada por negros no Brasil, já se vê aí que essa polarização não se dá por vencida nem quando o assunto é música.

Esse assunto por si só é polêmico vide a guerra de narrativas político partidária que gira em torno dele, porém temos três pontos a se atentar com isso:

Primeiro: A decadência da música popular no Brasil.

Há algo que nos últimos anos vem em declínio absurdo no Brasil, é a qualidade da música que está no gosto popular do povo, o sertanejo com apologia ao uso exacerbado de bebidas alcoólicas somado a letras que endossam o adultério com a destruição de famílias, o funk deturpando o tempo todo a figura da mulher objetivando e sexualizando a figura feminina, e isso é fruto de conteúdos que gerações da classe mais pobre nesse país veio consumindo ao longo das últimas décadas como novelas machistas, programas de auditório aos finais de semanas a tarde que nunca tiveram pudor por menores de idade na frente da televisão, essa geração cresceu e resolveu fazer música que não tem inspiração nenhuma em Djavan, Elza Soares e Jorge Ben Jor que por vez essa artistas icônicos citados aqui são de uma geração que não consumia esse tipo de conteúdo talvez isso explique tamanha qualidade nas letras e interpretações de suas músicas.

Segundo: O Estado fracassado e a ineficiente Segurança Pública.

Esse Projeto de Lei sendo aprovado é o atestado de fracasso das políticas de segurança pública desse país, onde temos uma das maiores populações carcerárias do mundo, o crime organizado produzindo muitos soldados para seus serviços dominando todos os setores da sociedade e o trabalhador e trabalhadora que não aguenta mais tanta insegurança. Então temos muita gente presa e pouca gente recuperada, muita gente que precisa ser presa, e muita gente insatisfeita com tudo isso.

 

Terceiro: a Romantização da pobreza.

 

Hoje vemos uma espécie de glamourização de situações precárias de se viver em rede nacional, emissoras de televisão que antes não davam espaços para grupos de rap que denunciavam ataques do Estado para com a população pobre desse país, como violência policial, falta de educação, infraestrutura, saúde, saneamento básico e etc. Hoje fazem questão de colocar em seus programas e festivais de música artistas que fazem apologia ao crime organizado e uso de drogas, uma imprensa que apela a esse tipo de conteúdo em busca dos seguidores que esse artistas atraem em suas redes sociais, visando a busca pelo público e audiência, ainda o tempo todo passando a mensagem de que viver nessas situações vulneráveis você pode ser feliz, divertido e fazer moda.

Quando se faz um esforço mínimo para entender o real significado na vida da classe que carrega esse país nas costas com o trabalho árduo, você enxerga que viver dentro da periferia é um questão de sobrevivência, pois a segurança pública é ineficiente fazendo da imagem do policial um violento, porém não podemos esquecer que o policial é nascido e criado na mesma periferia e foi colocado em sua conciência que as coisas na quebrada só funcionam se for de forma truculenta, a educação de qualidade não chega, o lazer nunca subiu o morro, as necessidades fisiológicas não tem onde serem descartadas, e hoje vemos a tal "elite" romantizar tudo isso, se você fizer uma pequena busca de como as favelas foram surgindo nesse país, você rapidamente vai chegar a conclusão que o Estado deveria ter intervido nesse fenômeno social lá no início, dando uma condição digna a esse povo, porém o Estado fez ao contrário, negligenciou e deixou que se desenvolvesse para que ele precisasse ter um modelo de indivíduo na sociedade que não deu certo, um modelo que precisa morrer na fila de hospitais públicos pra que a saúde privada virasse um produto caro, para que a educação pública não educasse como deveria educar fazendo com que a educação privada virasse um produto caro, que a segurança pública se mostrasse ineficiente para que a segurança privada crescesse fornecendo proteção para empresas, seguro de carro, câmeras de vigilância, condomínios fechados, entre outros num país sério nada disso deveria existir, inclusive as favelas, o Estado Brasileiro junto a sua tão amada Democracia falhou.

 

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
Nego Dan

Publicado por:

Nego Dan

Barbeiro, cristão afrodescendente, formado em educação física e professor de boxe

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