Um dos maiores cantores da MPB, Caetano Veloso, tem uma música muito especial sobre nosso idioma: “Língua”. Ouvindo ela essa semana, lembrei-me do livro cujo título foi inspirado nessa canção “Latim em pó: Um passeio pela formação do nosso português”, de Caetano W. Galindo, doutor em Linguística pela USP e atual professor da UFPR. No livro “Latim em pó”, o autor propõe uma viagem envolvente pela história da língua portuguesa, desde suas raízes no latim até as transformações que sofreu ao longo dos séculos.
Com uma linguagem acessível e bem-humorada, ele explica como a nossa língua foi moldada por influências diversas — do latim “vulgar” falado pelos soldados romanos às marcas deixadas pelos povos germânicos, árabes e pelas línguas indígenas e africanas. Assim como a música de Caetano Veloso celebra a diversidade e a riqueza da língua, Galindo mostra que o português é resultado de uma trajetória viva, cheia de encontros, rupturas e reinvenções.
Ao longo da obra, Galindo desconstrói a ideia de que há um português "puro" ou fixo, destacando que toda língua está em constante mutação. Ele revela curiosidades sobre palavras do nosso cotidiano, mostra como certas expressões nasceram e esclarece por que o português falado no Brasil se afastou tanto do europeu. O autor também discute a influência das normas gramaticais e o papel da escola na manutenção de certas tradições linguísticas, sem deixar de valorizar as variações regionais e populares.
Combinando erudição e leveza, “Latim em pó” nos convida a olhar para o idioma como um organismo vivo, que carrega em suas palavras séculos de história, cultura e convivência. Ao final da leitura, o leitor não apenas entende melhor a formação do português, mas também passa a enxergar a língua como um espaço de identidade, expressão e resistência — tal como sugerido na canção “Língua”, que defende, com poesia e crítica, a beleza e a complexidade do modo como falamos.
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