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Quarta-feira, 17 de Junho de 2026
TER AS CARTAS OU O BLEFE: O QUE CONTA MAIS?

Nego Dan

TER AS CARTAS OU O BLEFE: O QUE CONTA MAIS?

Com o dia 1º de agosto se aproximando, Lula afirma que, se Trump trucar, ele grita “seis”

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Diante das atrocidades tarifárias impostas por Donald Trump, algumas empresas de diferentes setores iniciaram um processo de férias coletivas, devido aos impactos decorrentes das novas tarifas. Por outro lado, uma comitiva de senadores brasileiros embarcou para os EUA numa tentativa de mitigar, postergar ou negociar uma possível queda nas tarifas de 50% sobre produtos exportados ao país.

Temos, portanto, um cenário de cautela e tensão por parte dos empresários, e de esperança de negociação por parte do Legislativo. No entanto, ao observarmos os líderes dos dois países, a pouca esperança que nos resta parece escorrer pelos dedos e se tornar cada vez menos palpável.

Enquanto o mundo vê Donald Trump, com a caneta na mão, taxar inúmeros países — colocando agora o Brasil em um lugar especial entre eles —, o presidente norte-americano usa argumentos frágeis e até mesmo mentirosos, como afirmar que o Brasil é superavitário nos acordos com os EUA. Por outro lado, temos o presidente Lula, que vê seu índice de aprovação se dissolver diante de seus olhos neste terceiro mandato. Agora, ele parece usar essa situação como espécie de campanha política: em seus discursos, tem exposto os bastidores das tratativas dentro do governo. Para os aliados governistas, Lula tem colocado a soberania nacional em primeiro lugar; já para a oposição, o assunto tem sido tratado com desdém e interesses políticos.

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Nesta semana, o presidente Lula comparou o tema — de tamanha complexidade — a uma partida de truco e disse ser bom nisso. Já Donald Trump tem sido apelidado de “TACO”, sigla em inglês para “Trump Always Chickens Out” — ou, em tradução livre, “Trump Sempre Arrega”. Isso porque o presidente norte-americano frequentemente volta atrás. Um exemplo foi a tarifa de 145% imposta sobre importações chinesas, que, no fim, morreu em 30%. EUA e China voltaram à mesa de negociações, os chineses deixaram a provocação de lado e chegaram a um acordo.

Lula declarou que, se Trump trucar, ele grita “seis”. O problema é que, numa partida de truco, gritar “seis” não significa vencer a rodada. Existe a tática do blefe — e, numa disputa como essa, um blefe mal executado pode custar muito caro. Para que o blefe adversário não tenha sucesso, é necessário ter cartas na mão — e, mais que isso, saber usá-las corretamente.

Enquanto essa rodada de truco não termina, o dia 1º de agosto se aproxima a galope. E nós, brasileiros, não queremos depender apenas da sorte — é arriscado demais.

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
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Nego Dan

Publicado por:

Nego Dan

Barbeiro, cristão afrodescendente, formado em educação física e professor de boxe

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